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Ex-Corinthians, Sidcley busca títulos inéditos e traz família a Kiev: “Ela vai onde vou”

Sidcley no dia em que assinou contrato com o Dínamo

Sidcley, 25, é um cara que desde menino, com 12 anos, se acostumou a encarar desafios. Desta vez, o lateral vai buscar o primeiro título nacional e internacional da carreira jogando no Dinamo de Kiev, na Ucrânia. De cara, enfrenta a barreira do idioma. Por isso contratou Rafaela, uma brasileira que morou na Ucrânia por três anos, e que ensina o  jogador os rudimentos e primeiras frases em russo. Além disso, ela providencia as refeições, até quando a dupla vai comer fora de casa.

Na conversa com a Coluna do Boleiro, Sidcley e Rafaela jantaram no Fine Family, um restaurante meio italiano meio mediterrâneo. Enquanto ele dava entrevista pelo celular, Rafaela checou o menu.  O ex-corintiano comeu uma massa e admitiu que sequer sabia onde estava em Kiev. Ainda vai aprender. E ele é um cara que sabe se virar. Já passou uma temporada nos Emirados Árabes quando tinha apenas 17 anos. E foi sozinho. Campeão paulista pelo Corinthians, em 2018, Sidcley está há duas semanas no time ucraniano. No domingo, foi poupado da vitória sobre o Shakhtar, na final da Supercopa da Ucrânia. “Apareceu um edema na coxa e decidimos que não devia forçar”, disse.

Ele está procurando casa em Kiev. Descobriu um condomínio onde moram outros jogadores brasileiros, como o colega de Corinthians, Maicon. Não sabe se vai escolher casa ou apartamento. Ele vai morar com a mãe Lúcia Mara, o padrasto Robson Oliveira, o irmão Starley (22) e a irmã Thawany (13).  “Minha família vai para onde eu vou”, afirmou o jogador que é solteiro e tem uma filha de dois anos em Curitiba.  

Coluna do Boleiro – Como estão as coisas por aí?
Sidcley – Está legal, cheguei há duas semanas e estou gostando. O difícil mesmo é a comunicação. Fiz os três últimos dias da pré-temporada na Áustria e encontrei o Tchê Tchê. Estamos vendo casa no mesmo condomínio. Aliás, é um lugar onde estão outros brasileiros como o Dentinho, Marlos, o Maicon e o Fernando. Eles jogam no Shakhtar e estão por lá.

Como você se virou nos treinos para falar com outros jogadores?
Tem o senhor Boris que fala português e traduz algumas coisas. Mas lá na pré-temporada não tinha ninguém que falasse português. Mas tinha quem falava espanhol e dava para me virar. Dentro de campo vou aprendendo como cada um joga e como eles expressam um olá, um oi ou toca aqui. Eu já falo umas palavrinhas. Sei dizer bom dia, tudo bem, como você está e uso uma expressão que é um palavrão e eles falam o tempo todo (riso).

Já jogou algum amistoso?
Joguei lá na Áustria contra um time da quarta divisão. Atuai no primeiro tempo. Fui bem.

Jogou de lateral ou ala?
Lateral esquerdo mesmo, com a ajuda do volante por trás quando fui à frente. Os caras aqui ajudam pra caramba na marcação.

Não vai sentir saudade do Romero?
(riso) O Romero é diferente. Joga pra caramba.

Selfie de Sidcley no hotel em Kiev

Você voltou para o exterior sem ainda ter conquistado um título nacional ou internacional
É verdade. Fui campeão estadual pelo Atlético PR e pelo Corinthians. Estou atrás do primeiro campeonato nacional e até Liga dos Campeões, né. Estou feliz por estar aqui. Todo jogador sonha em jogar na Europa, aparecer para o mundo. Vai ser difícil, mas vou dar o máximo. Afinal, já passei por muitas dificuldades e consegui sair delas.

Quais dificuldades?
No começo, não fiz base nenhuma. Fiz testes no Palmeiras e no Corinthians e não fui aprovado. Passei mais tempo no São Caetano e joguei só duas partidas. Saí de casa com 12 anos. Fiquei um ano em Campo Grande, três meses no Grêmio. Vivia rodando, nunca parava. Meu primeiro campeonato como profissional foi no Linhares do Espírito Santo. Joguei, fui bem. Eu tinha 17 anos. E fui chamado para jogar no Sub-19 do Sharjah, em Dubai (Emirados Árabes). Quando cheguei lá, o time estava fora na pré-temporada. Aí, para não ficar parado, os dirigentes falaram para eu treinar com os profissionais. Logo no primeiro treino, pediram para eu assinar contrato.

Você ficou quanto tempo em Dubai?
Uma temporada. Quando acabou, voltei de férias para o Brasil. Fiz um teste no Atlético Paranaense. Estava fazendo nada no Espírito Santo. Treinei uma semana e ia fazer três jogos. No primeiro, gostaram do que mostrei e o treinador do Atlético, o Artur Bernardes, eu conhecia lá de Dubai. Ele pediu e eu pensei: “Vou tentar no Brasil”. Já estava lá e fizemos um amistoso contra o Andraus e o Artur me pediu para eu sair da lateral e jogar no meio, como fazia em Dubai. Na primeira bola que peguei, fiz gol. Aí fiquei de 2013 até ir para o Corinthians no começo deste ano. No meio, joguei em 2016 no Atlético Goianiense.

Como foi esta passagem pelo Corinthians?
Uma coisa ajudou bastante. O Carille (ex-técnico do Corinthians) me pediu para jogar de um jeito que é o mesmo daquele que o Paulo Autuori me ensinou lá no Atlético Paranaense. Lembro que, de diferente, o Carille me pedia para cabecear, cabecear para a lateral quando a gente estivesse na defesa. Acho que no final, deu para ajudar. Marquei três gols, um no Paulista, outro no Brasileiro e o terceiro na Libertadores. Lógico que eu queria jogar mais, mas acho que entrei na história quando ganhamos o Campeonato Paulista vencendo o rival (Palmeiras) lá no campo deles. Mas gostaria de ver como é ser campeão da Copa do Brasil, do Brasileiro e da Libertadores.

Você falou que quer ter a família por perto.
Minha família vai para onde eu for. Desde que comecei a ganhar um pouco mais, quero ter minha mãe, meu padrasto e meus irmãos perto de mim. Até para acertar minha vinda para cá, calculo despesas de cinco pessoas. Em Dubai, fiquei sozinho. No Corinthians, onde joguei por empréstimo, minha família ficou em Curitiba. Mas agora tenho contrato de cinco anos. E tem ainda minha filha, Ana Clara, de dois anos, que está em Curitiba. Eu quero que me visite. Estamos já vendo passaporte para ela e para a mãe.


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