Ex-comandante do GSI adulterou relatório dos ataques de 8/1, afirma jornalista

Gabinete de Segurança Institucional – Gonçalves Dias
General Gê Dias era avisado do risco de ataques na Praça dos Três Poderes Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ex-comandante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Gonçalves Dias, adulterou um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para esconder provas de que ele havia sido informado sobre o risco de tumulto e invasão de prédios públicos em 8 de janeiro. 

As informações são da colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar. Documentos foram enviados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e exibidos a parlamentares que integram a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional. A novidade tende a agitar ainda mais a CPI dos atos antidemocráticos. 

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Os parlamentares disseram que no primeiro documento, que foi entregue a CCAI no dia 20 de janeiro, não constam onze alertas que Gê Dias recebeu em seu telefone entre os dias 6 e 8 de janeiro sobre o risco de invasões à Praça dos Três Poderes.        

Uma versão desse mesmo relatório, mas com todos os alertas que haviam sido suprimidos, foi enviado à comissão pela Abin no dia 8 de maio. Nesse momento o GSI já estava sob o comando do general Marco Antonio Amaro dos Santos. 

Na sequência de mensagens fica claro que Gê Dias havia sido alertado por agentes da inteligência do governo sobre o risco de ataques a prédios públicos no Distrito Federal. As mensagens atualizavam a situação dos ônibus que estavam chegando à capital federal desde o dia 6 de janeiro. 

Dias negou em depoimento à Polícia Federal que havia sido informado pela Abin de movimentações de pessoas que praticaram os atos antidemocráticos na Praça dos Três Poderes. Ele pediu demissão do GSI após vídeos conseguidos pela CNN mostrarem ele perambulando pelo Palácio do Planalto sem tomar nenhuma atitude perante aos invasores.