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Europa tenta se proteger do avanço do coronavírus, que supera 6.000 mortes no mundo

Europa tenta se proteger do avanço do coronavírus, que supera 6.000 mortes no mundo

Transporte de testes sobre o novo coronavírus em Ludwigsburg, na Alemanha - AFP

A Europa tenta estabelecer medidas de proteção ante o avanço inexorável da pandemia de coronavírus, que neste domingo superou a barreira de 6.000 mortes e 160.000 infectados em todo o mundo, com o fechamento parcial da fronteira na Alemanha e confinamentos na Itália e Espanha.

Apesar dos temores, os franceses comparecem neste domingo às urnas para eleições municipais, mas a participação era visivelmente reduzida, horas depois de uma ordem para o fechamento em todo o país de locais públicos “não essenciais”, como bares, restaurantes e cinemas.

Antes de entrar no local de votação, os eleitores devem higienizar as mãos e, para evitar a propagação do vírus, todos os cidadãos receberam a recomendação de levar a própria caneta até a cabine.

O vírus começa a derrubar o princípio sacrossanto de uma Europa quase sem fronteiras: as autoridades da Alemanha decidiram fechar a partir de segunda-feira as fronteiras do país com França, Suíça e Áustria.

A França também anunciou um reforço nos controles da fronteira com a Alemanha, mas sem o fechamento parcial como decidiu o governo do país vizinho.

Isto acontece no momento em que a propagação da COVID-19 parece imparável. A Espanha – segundo país mais afetado da Europa, atrás da Itália – registra 288 mortes, 100 a mais que no sábado, e 7.753 infectados, 2.000 pessoas a mais que na véspera.

O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, anunciou no sábado à noite sérias restrições aos 46 milhões de habitantes, que só poderão sair de suas casas para comprar alimentos ou remédios, comparecer a centros médicos, para seguir até o trabalho ou para cuidar de pessoas dependentes (crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais).

– Confinados –

Em todo o planeta, a pandemia esvazia aos poucos as ruas, confina milhões de pessoas a suas casas e transforma as vidas cotidianas.

Na Itália, as autoridades da Lombardia (norte), a região mais afetada da Itália pela pandemia, expressaram de forma explícita preocupação com a capacidade de seu sistema de hospitais para enfrentar o fluxo de pacientes.

“Os números continuam aumentando. Em breve chegará o momento em que não teremos mais leitos para reanimação”, advertiu Attilio Fontana, governador da Lombardia, em uma entrevista ao canal Sky TG24.

A Itália é o país mais afetado da Europa, com 1.441 mortos e 21.157 casos, de acordo com o balanço atualizado divulgado neste domingo. O governo do país impôs um confinamento drástico aos 60 milhões de habitantes.

– Epicentro europeu –

A Europa é agora o “epicentro” da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A China, país de origem da pandemia, com quase 3.200 mortos – das 6.036 vítimas fatais em 139 países – registra uma queda diária do número de contágios e falecimentos. Neste domingo o país anunciou apenas 20 novos infectados, sendo 16 casos de pessoas procedentes do exterior.

O governo chinês anunciou que as pessoas procedentes do exterior que desembarcam em Pequim serão colocadas em quarentena em centros especiais a partir de segunda-feira.

O Vaticano anunciou que todas as celebrações litúrgicas da Semana Santa acontecerão sem a presença de fiéis na praça de São Pedro.

“Comunicamos que até o domingo 12 de abril de 2020 as audiências gerais do Santo Padre e a recitação da Oração Mariana do ‘Angelus’ dos dias domingo serão transmitidas apenas via ‘streaming'”, afirma um comunicado oficial.

Na França, onde foram registradas 91 mortes e 4.500 casos, os bares, restaurantes e casas noturnas fecharam as portas a partir da meia-noite de sábado

Além disso, a França reduzirá progressivamente as viagens de longa distância de trem, ônibus e avião em seu território nos próximos dias para limitar a propagação do coronavírus, anunciou a ministra do Meio Ambiente, Elisabeth Borne.

Áustria e Suíça anunciaram o fechamento de quase todas as suas estações de esqui. O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, pediu aos habitantes que saiam de casa apenas em caso de necessidade profissional, para comprar produtos essenciais ou para ajudar alguém.

O governo austríaco também proibiu reuniões de mais de cinco pessoas e decidiu limitar drasticamente os deslocamentos no país.

Criticado por sua resposta lenta à crise, em um país com 1.372 casos e 35 mortes, o governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson pretende proibir as grandes concentrações. A rainha Elizabeth II deu o exemplo e cancelou “por precaução” vários compromissos.

– Forte progressão –

Fora da Europa, o Irã anunciou neste domingo 113 mortes nas últimas 24 horas devido ao novo coronavírus, o que eleva a 724 o total de vítimas fatais desde o início da epidemia.

Este é o maior número de mortes em apenas um dia desde o início da epidemia no país.

O Irã é o terceiro país mais afetado pela pandemia, depois da China e da Itália.

O centro do mausoléu do Imã Reza, em Mashhad, principal cidade sagrada xiita do Irã, fechou para os peregrinos até nova ordem.

A República do Congo anunciou o primeiro caso do novo coronavírus em seu território. A África é o continente menos afetado pela pandemia, com sete vítimas fatais em 280 casos, essencialmente no Egito e na região do Magreb.

Em Israel, o julgamento por corrupção do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que começaria na terça-feira, foi adiado em dois meses pelo temor de propagação da doença.

O presidente da Argentino, Alberto Fernández, afirmou que está examinando a possibilidade de aplicar uma quarentena obrigatório em todo o país e definirá nas próximas horas a possível suspensão das aulas em todo país para evitar a propagação de COVID-19.

O Chile fechou todos os portos a cruzeiros depois que duas embarcações foram colocadas em quarentena por um caso confirmado e dois suspeitos.

O governo dos Estados Unidos, que provocou um abalo na economia mundial ao proibir os voos procedentes da Europa por 30 dias, anunciou que ampliará a medida ao Reino Unido.

Os controles de saúde para os americanos que retornam da Europa provocavam filas gigantescas e cenas de caos em vários aeroportos do país, sobrecarregados com o fluxo de passageiros.

Uma passageira, Ann Lewis Schmidt, ironizou a situação no aeroporto O’Hare de Chicago: “Se não tínhamos o vírus antes, temos muita chance de um contágio agora”, declarou ao canal CNN.

burs-jxb/me/age/fp