Economia

Europa tarifa injustamente exportações americanas?

Europa tarifa injustamente exportações americanas?

Comissária eurpeia de Comércio Cecilia Malmstrom, o representante comercial dos EUA Robert Lighthizer (e) e o ministro de Economia do Japão Hiroshige Seko chegam a reunião para discutir política comercial de Washington - POOL/AFP/Arquivos

o presidente Donald Trump diz que as exportações americanas sofrem com tarifas aduaneiras injustas da União Europeia(UE). Isso é verdade?

– Bases –

Os funcionários da Comissão Europeia sustentam que a UE e os Estados Unidos normalmente se concedem mutuamente as taxas para exportar nos dois sentidos.

Em média, as exportações de bens e serviços dos Estados Unidos para a Europa possuem tarifas de 2,4%. Já a Europa aplica uma média de 3%, disseram funcionários da Comissão à AFP.

No entanto, de acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), os Estados Unidos impõem uma tarifa média mínima de 3,48%, contra 5,16% da UE.

– Automóveis –

Trump diz que as exportações de automóveis americanos à Europa pagam tarifas mais altas que as de países europeus que chegam ao seu país.

Neste caso, os dados lhe dão razão: os carros americanos enfrentam taxas de 10%, enquanto os europeus têm tarifas de 2,5% nos Estados Unidos.

Contudo, dentro do setor automobilístico, os Estados Unidos aplicam uma taxa de 25% sobre as importações de caminhões e picapes – significativamente mais alta que a de 14% cobrada pela UE aos mesmos veículos.

Estão no alvo de Trump as fabricantes automobilísticas alemãs, mas essas empresas constroem um número alto de veículos nos Estados Unidos – que são, inclusive, exportados para outros países.

Por exemplo, a BMW disse que no ano passado exportou 10 bilhões de dólares em carros a 140 países, após montá-los em uma fábrica em Spartanburg, na Carolina do Sul.

A também alemã Mercedes Benz disse que em 2017 produziu 286 mil veículos em sua fábrica de Tuscaloosa, Alabama, exportados a 135 mercados.

Una guerra comercial poderia arruinar este cenário.

O presidente e CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, alertou recentemente que sua empresa poderia reduzir à metade a equipe de 4 mil funcionários de sua fábrica na Carolina do Sul se as exportações dos Estados Unidos deixarem de ser viáveis.

– Tarifas proibitivas –

Quase metade dos bens intercambiados não tem tarifas nos Estados Unidos e na Europa. Contudo, diversos sofrem com taxas muito elevadas e quase proibitivas.

O governo Trump não respondeu a consultas da AFP, mas dados da Comissão Europeia indicam que os cigarros americanos têm uma taxa de até 74,9%. Outros bens, especialmente produtos agrícolas, também têm tarifas elevadas – as das cenouras, por exemplo, são de 13,4%.

No passado, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos denunciou que a UE taxa com 1.680 dólares a tonelada de azeitonas americanas. Em contrapartida, as azeitonas europeias pagam apenas 34 dólares por tonelada nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos cobravam 164% ao amendoim europeu, enquanto o mesmo produto dos EUA paga apenas 1,8% na Europa.

As exportações europeias de sapatos e produtos têxteis também enfrentam tarifas mais elevadas que as produzidas nos Estados Unidos e vendidas ao Velho Continente.

Indicar algumas exportações com altas taxas e ignorar uma ampla gama de bens e serviços que têm tarifas mais baixas dá uma visão imprecisa da imagem geral das tarifas, disseram autoridades europeias à AFP.

– Barreiras não-tarifárias –

Além de denunciar as cargas tarifárias, Trump protesta contra as “barreiras” da Europa. O presidente refere-se a barreiras não-tarifárias, como os requisitos fitossanitários, que podem bloquear as exportações americanas.

Essas questões estavam no centro das negociações de um acordo de livre-comércio entre os Estados Unidos e a UE, que começou em 2013, perderam impulso e foram interrompidas quando Trump chegou à Casa Branca no ano passado.