O euro fechou em alta consistente ante outras divisas principais nesta quarta-feira, 30, com as sinalizações repercutidas no noticiário da Itália de que o presidente Sergio Mattarella voltou a considerar dar sinal verde a um governo formado pelo Movimento 5 Estrelas (M5S) e pela Liga, baixando um pouco, por ora, a poeira da crise política em Roma. A expectativa é de que esse movimento evite a convocação de novas eleições, que, sob a ótica de investidores, perigariam trazer ainda mais instabilidade ao país.
Perto do horário de fechamento em Nova York, o euro avançava a US$ 1,1658, subia a 126,97 ienes, ascendia a 0,8780 libra e tinha alta a 1,1535 franco suíço.
Com uma desaceleração da busca por ativos considerados seguros, o dólar caía a 0,9897 franco suíço e recuava a 1,2878 dólar canadense, apesar de marcar alta a 108,92 ienes. O índice DXY, que mede a moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, fechou em baixa de 0,72%, aos 94,153 pontos.
Mais cedo, circularam em Roma relatos de que Mattarella estaria considerando novamente dar seu aval a um governo formado pelos populistas M5S e Liga, e que o primeiro partido teria pedido ao economista eurocético Paolo Savona, principal fonte de discordância entre o presidente do país e as legendas, que retirasse sua candidatura a ministro de Economia e Finanças.
Investidores embarcaram na interpretação de que, se confirmado, este cenário evitaria a convocação de novas eleições, as quais poderiam fortalecer ainda mais as siglas populistas e, ademais, seriam encaradas como o equivalente a um referendo sobre se a Itália deveria ou não deixar a União Europeia. Pesou ainda a percepção de que é melhor o M5S e a Liga chegarem ao poder sob algum tipo de entendimento com Mattarella do que à revelia das condições apresentadas pelo presidente.
Foi em meio a essas perspectivas que ativos da zona do euro passaram a ser vistos com menos hesitação, inclusive a própria moeda, que recuperou parte do terreno perdido nas últimas sessões para o dólar.
O noticiário político na Espanha também desanuviou o quadro de instabilidade na Europa. O partido liberal Ciudadanos está propenso a retirar seu apoio à moção de censura apresentada pelo Partido Socialista (PSOE) contra o primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, tornando mais difícil a aprovação da medida no Congresso dos Deputados, que poderia culminar na deposição do mandatário.
Na agenda de indicadores, a Destatis, agência oficial de estatísticas da Alemanha, revelou que a inflação ao consumidor subiu 0,5% no país em maio ante abril, acima da previsão de +0,2% dos analistas. O dado não alterou o vigor do euro. (Com informações da Dow Jones Newswires)