Os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e o Canadá destacaram nesta sexta-feira (25) sua disposição a “rever” as sanções contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela se uma negociação liderada por venezuelanos apresentar avanços para a realização de eleições livres.
“Saudamos os avanços substantivos e confiáveis para restaurar processos e instituições democráticas essenciais na Venezuela e estamos dispostos a revisar as políticas de sanções com base em avanços significativos em uma negociação integral”, destacaram em uma declaração conjunta.
O texto foi assinado pelo Secretário de Estado americano, Antony Blinken, pelo alto representante da UE para as Relações Exteriores, Josep Borrell, e pelo ministro das Relações Exteriores do Canadá, Marc Garneau.
Os três enfatizaram que a “solução pacífica” para a Venezuela deve surgir de um diálogo interno “com a participação de todos os atores”, que conduza a “eleições locais, legislativas e presidenciais credíveis, inclusivas e transparentes”.
Para isso, pediram a “libertação incondicional de todos os detidos injustamente por motivos políticos, a independência dos partidos políticos, a liberdade de expressão, incluindo a de membros da imprensa, e o fim dos abusos dos direitos humanos”.
“Pedimos condições eleitorais que atendam aos padrões internacionais de democracia, começando com as eleições locais e regionais marcadas para novembro de 2021”, disseram.
Os Estados Unidos, a UE e o Canadá não reconhecem o mandato de Maduro iniciado em janeiro de 2019, por considerar ilegítima a sua reeleição em maio de 2018. Também não reconhecem a autoridade da Assembleia Nacional (Parlamento), eleita em dezembro de 2020 e dominada pelo partido no poder.
Os Estados Unidos, Canadá e muitos países europeus estão entre as 60 nações que apoiam o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó como presidente interino, devido ao seu cargo de presidente da Assembleia Nacional eleito democraticamente em 2015.
Os Estados Unidos, a UE e o Canadá impuseram inúmeras sanções econômicas a Caracas, incluindo um bloqueio por Washington do petróleo venezuelano, como parte de uma pressão para a “restauração” da democracia no país sul-americano.
A Noruega mediou negociações fracassadas entre os delegados de Maduro e Guaidó em 2019, paralisadas quando Washington intensificou suas medidas punitivas financeiras contra Caracas.
Em sua declaração conjunta, os Estados Unidos, a UE e o Canadá destacaram seu compromisso de “enfrentar a grave crise humanitária” na Venezuela e celebraram “um acordo maior entre todos os atores políticos” para permitir a entrada de alimentos, remédios e insumos para combater a covid-19.
Além da crise política, a Venezuela, governada por Maduro desde 2013, vive um desastre econômico e social agravado pela pandemia que, segundo a ONU, forçou 5,6 milhões de pessoas a deixarem o país nos últimos anos.