EUA anunciam transmissão ao vivo de execução de ex-militar por fuzilamento

Condenado por ataque que matou 13 pessoas em base militar, Nidal Malik Hasan tem execução prevista para dezembro; ONU critica decisão

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Foto: Imagem arquivos IstoÉ

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou que pretende transmitir ao vivo a execução de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército americano condenado à morte pelo ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.

O anúncio foi feito na quinta-feira (8), após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, defender que o procedimento seja realizado publicamente para demonstrar as consequências de crimes dessa natureza.

A execução está prevista para 3 de dezembro e deverá ocorrer por meio de um pelotão de fuzilamento formado por militares.

A possibilidade de transmissão provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera a exposição pública de uma execução incompatível com normas internacionais de direitos humanos.

Pentágono prevê execução por pelotão de fuzilamento

Segundo o Pentágono, Nidal Malik Hasan deverá ser executado por soldados americanos em dezembro.

A decisão foi anunciada após o presidente Donald Trump aprovar, no início desta semana, a aplicação da pena por fuzilamento.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que a execução deverá ser acompanhada publicamente como forma de demonstrar a gravidade das consequências impostas ao condenado.

O Departamento de Defesa, entretanto, ainda não apresentou detalhes sobre o formato da transmissão.

Não foi informado se o público poderá acompanhar o procedimento presencialmente ou se as imagens serão disponibilizadas exclusivamente pela televisão, internet ou redes sociais.

O Pentágono declarou que novas informações serão divulgadas posteriormente.

Quem é Nidal Malik Hasan?

Nidal Malik Hasan é um ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos condenado pelo ataque ocorrido em novembro de 2009 na base militar de Fort Hood, no Texas.

Na ocasião, Hasan abriu fogo contra militares e funcionários que estavam no Centro de Processamento de Prontidão de Soldados.

O ataque deixou 13 pessoas mortas e outras 32 feridas, tornando-se um dos episódios mais graves de violência registrados em uma instalação militar americana.

Após o julgamento, Hasan foi condenado à pena de morte.

A execução anunciada pelo governo Trump representa um novo desdobramento do caso, ocorrido há quase 17 anos.

ONU critica possibilidade de transmissão pública

A decisão de transmitir a execução provocou reação do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em manifestação encaminhada à imprensa, o órgão afirmou que a transmissão equivaleria à realização de uma execução pública.

Para a entidade, a exposição do procedimento violaria a proibição absoluta da tortura prevista nas normas internacionais de direitos humanos.

A manifestação amplia o debate sobre os limites da aplicação da pena de morte e sobre as implicações de transformar uma execução em um evento acompanhado pelo público.

O governo americano, por sua vez, apresentou a publicidade do procedimento como uma forma de demonstrar as consequências de crimes considerados extremamente graves.

Estados Unidos não realizam execução militar desde 1961

Caso seja realizada conforme o anúncio, a execução de Hasan encerrará um intervalo de mais de seis décadas sem aplicação da pena de morte pelo sistema de Justiça militar americano.

Segundo o Death Penalty Information Center, organização que acompanha a aplicação da pena capital nos Estados Unidos, a última execução militar ocorreu em 13 de abril de 1961.

Na ocasião, o soldado John A. Bennett foi executado por enforcamento após ser condenado por estupro e tentativa de homicídio.

A execução prevista para dezembro, portanto, poderá marcar um acontecimento raro na história recente da Justiça militar americana.

Transmissão ainda depende de detalhes operacionais

Apesar do anúncio do Pentágono, permanecem indefinidos os procedimentos que serão adotados para permitir o acompanhamento público da execução.

O Departamento de Defesa não esclareceu quais plataformas poderão transmitir as imagens nem se haverá restrições de acesso.

A decisão também poderá ampliar as discussões jurídicas e diplomáticas sobre a pena de morte nos Estados Unidos, especialmente diante das críticas apresentadas pela ONU.

Até o momento do anúncio, a execução de Nidal Malik Hasan estava prevista para 3 de dezembro, com a utilização de um pelotão de fuzilamento.

Da IstoÉ