Os Estados Unidos tentaram incluir o setor de minerais críticos nas negociações comerciais com o Brasil para reduzir as tarifas impostas aos produtos brasileiros. Uma proposta apresentada pelo governo de Donald Trump previa que Washington fosse informado antecipadamente sobre determinadas operações envolvendo ativos de mineração no país.
O documento fazia parte das tratativas entre os dois governos e estabelecia condições para uma possível flexibilização das tarifas americanas. Entre elas estava a criação de mecanismos relacionados à transferência e à aquisição de ativos brasileiros ligados a minerais considerados estratégicos.
A proposta também previa limitações ao acesso de investidores classificados pelos Estados Unidos como agentes “não orientados pelo mercado”. No governo brasileiro, a expressão foi interpretada como uma referência principalmente à China, que disputa com os Estados Unidos o controle de cadeias globais de minerais utilizados em setores tecnológicos, energéticos e de defesa.
O que os Estados Unidos queriam?
Segundo o documento revelado pelo Estadão, a intenção americana era obter conhecimento prévio sobre determinadas operações antes que negócios envolvendo ativos minerais fossem concluídos.
A proposta fazia parte de um conjunto mais amplo de condições apresentadas por Washington durante as negociações comerciais. O governo brasileiro considerou as exigências inaceitáveis, e elas não foram incorporadas nos termos originalmente apresentados.
As conversas ocorreram em meio à escalada das tensões comerciais entre os dois países. Medidas adotadas pelos Estados Unidos ao longo de 2026 passaram a atingir parcelas relevantes das exportações brasileiras. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as novas sobretaxas decorrentes de investigações conduzidas pela legislação comercial americana alcançaram aproximadamente 23,1% das vendas brasileiras para os EUA, considerando como referência o comércio de 2024.
Por que os minerais críticos são estratégicos?
Minerais críticos e terras raras são utilizados em cadeias produtivas consideradas essenciais para a economia moderna, incluindo baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e tecnologias relacionadas à defesa.
O setor se tornou um dos principais pontos da competição econômica entre Estados Unidos e China. O Brasil, por possuir reservas relevantes de diferentes minerais estratégicos, passou a ocupar posição de destaque nessa disputa.
Nesta quarta-feira, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação cria mecanismos para incentivar pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos dentro do território brasileiro.
A nova política também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos e busca ampliar a agregação de valor no Brasil, reduzindo a dependência da simples exportação de matérias-primas.
Brasil tenta ampliar processamento no país
A legislação sancionada prevê instrumentos de incentivo que podem mobilizar até R$ 7 bilhões para projetos relacionados à pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.
A estratégia brasileira é utilizar suas reservas minerais não apenas como produto de exportação, mas também como base para ampliar a industrialização e o desenvolvimento tecnológico no país.
Nesse cenário, minerais críticos passaram a ocupar espaço relevante nas relações entre Brasil, Estados Unidos e China, justamente pela importância desses recursos para algumas das principais tecnologias das próximas décadas.
Leia também
VW exibe o GTI mais potente da história: não é um Golf, tem motor 100% elétrico e tração traseira
CAOA Changan CS55 híbrido plug-in flex chega por R$ 189.990; versão a combustão sai por R$ 144.990
Jeep Renegade Altitude 2027 por R$ 124.990 é uma das melhores compras entre os SUVs compactos