EUA recuam de acusação que atribuía liderança de cartel a Maduro

WASHINGTON, 6 JAN (ANSA) – O governo dos Estados Unidos recuou de uma das principais acusações contra o líder venezuelano Nicolás Maduro e deixou de atribuir ao presidente deposto a chefia de um suposto grupo de narcotraficantes chamado “Cartel de los Soles”.   

A mudança está em uma nova versão do ato de acusação contra Maduro, tornada pública pelo Departamento de Justiça após a captura do chavista pelos EUA, no último sábado (3).   

No documento original, de 2020, Maduro era descrito como o líder do suposto Cartel de los Soles, termo mencionado 32 vezes.   

Esse também foi o tom adotado pela gestão de Donald Trump durante todo o ano de 2025, quando o alegado grupo foi declarado como “terrorista” pela Casa Branca.   

A nova acusação, no entanto, cita a organização apenas duas vezes, descrevendo-a não como um cartel formal, mas como um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” alimentada por recursos do narcotráfico.   

Segundo a versão atualizada, os lucros do tráfico de drogas “fluem para funcionários civis, militares e de inteligência corruptos em níveis mais baixos, que operam dentro de um sistema de clientelismo gerenciado por aqueles que estão no topo ? indicados como Cartel de los Soles, uma referência ao emblema de sol usado nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alto escalão”.   

De acordo com a acusação, Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, participaram, perpetuaram e protegeram esse suposto esquema de clientelismo.   

Especialistas em crime organizado na América Latina há muito argumentam que “Cartel de los Soles” é um termo coloquial criado pela mídia venezuelana nos anos 1990, antes da ascensão de Chávez ao poder, para se referir a redes de funcionários corruptos envolvidos com o narcotráfico, e não a um cartel hierárquico, como os colombianos e mexicanos.   

O recuo na caracterização do suposto cartel joga dúvidas adicionais sobre a legitimidade da designação antiterrorista aplicada pelo governo Trump no ano passado, embora as acusações centrais contra Maduro de envolvimento com o narcotráfico permaneçam. (ANSA).