Mundo

EUA pedem a libertação de jornalistas da Reuters detidos na Birmânia

EUA pedem a libertação de jornalistas da Reuters detidos na Birmânia

Jornalistas birmaneses Kyaw Soe Oo (G) e Wa Lone após serem sentenciados a sete anos de prisão em Yangon em 3 de setembro de 2018 - AFP/Arquivos

Os Estados Unidos voltaram a pedir nesta quarta-feira a Mianmar a libertação de dois jornalistas da agência de notícias Reuters detidos após informar sobre a crise da minoria muçulmana rohingya, expressando preocupação um dia após a justiça local negar recurso de apelação dos profissionais.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Morgan Ortagus, disse que a decisão Suprema Corte do país manda “um sinal profundamente negativo sobre a liberdade de expressão” em Mianmar.

Detidos em dezembro de 2017, Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28, foram condenados a sete anos de prisão por violar a lei de segredos de Estado, legislação que data do período colonial do país.

Eles são acusados de obtenção de documentos relacionados às operações das forças de segurança birmanesas no Estado de Rakain, uma região no noroeste do país, onde uma brutal operação militar obrigou a cerca de 740 mil rohingya a fugir para Bangladesh.

Os advogados de Wa Lone e Kyaw Soe Oo acreditam que a decisão judicial é um castigo contra eles por terem investigado o massacre de 10 rohingyas durante a intervenção dos militares birmaneses nessa localidade.

A reportagem dos jornalistas da Reuters sobre o massacre recebeu o Pulitzer, o maior prêmio do jornalismo nos Estados Unidos.

A líder do governo birmanês, a prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, não se pronunciou ainda sobre o caso.