EUA lançam ataques militares contra alvos na Venezuela

EUA lançam ataques militares contra alvos na Venezuela

"ImagensTrump diz que Nicolás Maduro foi capturado. Após meses concentrando forças, militares dos EUA atacam alvos em território venezuelano, marcando uma inédita escalada de tensão na região.Forças militares dos Estados Unidos lançaram neste sábado (03/01) ataques militares contra alvos na Venezuela , marcando uma inédita escalada de tensão na região e aumentando a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro .

As operações militares ocorrem após os EUA passarem meses posicionando forças militares no Mar do Caribe, incluindo a presença de navios de guerra e o maior porta-aviões do mundo.

Oficialmente, os EUA justificaram o deslocamento das forças como uma ação para combater "narcoterroristas ", mas analistas apontam que as ações podiam visar uma mudança de regime na Venezuela, cujo governo está sob controle dos chavistas há mais de duas décadas.

Fortes explosões e ruídos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado) em Caracas e outras regiões da Venezuela.

O governo venezuelano denunciou o que chamou de "agressão militar gravíssima" dos Estados Unidos contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o porto da capital do país.

"O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista", afirmou o governo, em nota.

Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora não seja possível determinar a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital.

As primeiras explosões foram ouvidas em torno das 02h00, seguida de outra às 02h38, enquanto aeronaves continuavam sobrevoando a cidade.

As explosões ocorrem depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, que enviou uma frota de navios de guerra para o Caribe, mencionar a possibilidade de ataques em território venezuelano e afirmar que os dias do presidente Nicolás Maduro no poder estavam "contados".

Trump alegou nesta segunda-feira que os Estados Unidos destruíram um porto usado por embarcações supostamente envolvidas com o narcotráfico na Venezuela, o que seria o primeiro ataque terrestre dos EUA em solo venezuelano.

Maduro reagiu à fala de Trump afirmando que "o sistema de defesa nacional garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todos os nossos territórios".

Trump acusa Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico, acusação que Caracas nega, alegando que Washington quer derrubá-lo para se apoderar das reservas de petróleo do país.

Sob pressão dos EUA, Maduro libertou presos políticos
Na última quinta-feira, sob forte pressão dos Estados Unidos, a Venezuela anunciou a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024.

Maduro impôs uma violenta repressão aos opositores que rejeitaram o resultado oficial, que o conduziu a um terceiro mandato de seis anos na Presidência.

A violência resultou na morte de 28 pessoas e na prisão de cerca de 2.400 manifestantes, incluindo dezenas de menores de idade.
Desde então, mais de 2 mil manifestantes foram libertados, segundo registros oficiais.

Em 25 de dezembro, Caracas já havia anunciado a libertação de 99 prisioneiros como "uma expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça".

ONGs venezuelanas estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estejam detidos, incluindo pessoas presas antes das eleições.

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Imprensa americana relata ataque dos EUA na Venezuela

Relatos na imprensa americana afirmam que os Estados Unidos estiveram por trás da série de ataques contra o território venezuelano, embora ainda não haja confirmação oficial.

As emissoras CBS News e Fox News relataram que autoridades não identificadas do governo do presidente Donald Trump confirmaram o envolvimento das forças americanas.

A agência de notícias Reuters também citou uma fonte do governo que teria confirmado os ataques em solo venezuelano.

A Casa Branca e o Pentágono ainda não se pronuciaram sobre os incidentes.

Governo venezuelano denuncia "agressão gravíssima" dos EUA ao país

O governo venezuelano denunciou neste sábado uma "agressão militar gravíssima" dos Estados Unidos contra alvos civis e militares nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira e na capital do país, Caracas, e ordenou "o destacamento do comando para a defesa integral da nação".

Em nota, o governo da Venezuela convocou a população às ruas. "O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista."

O comunicado acrescentou que o presidente Maduro "ordenou a implementação de todos os planos de defesa nacional" e declarou "“estado de perturbação externa".

"A Venezuela rechaça, repudia e denuncia à comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana."

Presidente Colombiano fala em ataque contra a Venezuela
O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou em postagens nas redes sociais que as explosões em Caracas seriam resultantes de um "ataque" à Venezuela e pediu uma reunião imediata da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU.

"Neste momento, bombardeiam Caracas. Alerta a todo o mundo, atacaram a Venezuela. Bombardearam com mísseis. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) devem se reunir imediatamente", escreveu Petro, no X.

Até o momento, não há registro ou evidências de que as explosões foram causadas por ação militar.

O presidente colombiano já expressou várias vezes sua oposição às ações dos Estados Unidos na escalada de tensões com a Venezuela. Em outubro, os EUA anunciaramsanções contra Petro e parentes dele, alegando que o mandatário falhou no combate às drogas.

Num segundo post, Petro destacou que a Colômbia passou a integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas neste início de ano. Este deveria ser "convocado de imediato. [para] Estabelecer a legalidade internacional da agressão sobre a Venezuela." Petro ainda destacou que O Posto de Mando Unificado (PMU) estaria "ativado em Cúcuta", assim como "o plano operacional na fronteira" com a Venezuela.

Qual é a força do Exército venezuelano? E quais aliados podem sair em sua defesa?
Em 23 de outubro, em resposta ao aumento do destacamento militar dos EUA na costa da Venezuela, o líder do país, Nicolás Maduro, tentou fazer um apelo pela paz. Ao mesmo tempo, alertou que a Venezuela possui 5.000 sistemas portáteis de defesa aérea Igla-S, de fabricação russa. "Graças ao presidente [Vladimir] Putin, à Rússia, à China e a muitos amigos ao redor do mundo, a Venezuela tem o equipamento necessário para garantir a paz", afirmou.

Mas, qual é o real poderio do Exército venezuelano e com quais aliados internacionais o país pode contar para tentar fazer frente aos Estados Unidos?

O Exército venezuelano foi fortalecido pela fartura do petróleo na era [do antecessor de Maduro, Hugo] Chávez, mas pouco restou após o ápice de 2013 dos gastos com defesa de mais de 6 bilhões de dólares (R$ 32 bilhões).

O orçamento nacional da Venezuela para 2025 totaliza 22,661 bilhões de dólares. Desse total, apenas 3%, cerca de 657 milhões, são destinados ao Ministério da Defesa

Segundo estimativas da CIA, disponíveis publicamente, a Venezuela gasta cerca de 0,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em defesa (em comparação com, por exemplo, 3,4% na Colômbia ou 3,2% nos Estados Unidos), tem "laços com as Forças Armadas da China, Cuba, Irã e Rússia" e conta com entre 125.000 e 150.000 militares da ativa, além de cerca de 200.000 membros de milícias. Soma-se a isso o apelo às armas para que civis defendam a pátria.

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Imagem não confirmada de uma explosão em La Carlota, próximo a uma base aérea das Forcas Armadas Venezuelanas em Caracas