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EUA isolado na ONU em favor de sanções ao Irã

EUA isolado na ONU em favor de sanções ao Irã

Chefe da diplomacia americana Mike Pompeo em 20 de agosto de 2020, após pedir na ONU o restabelecimento das sanções contra o Irã - POOL/AFP/Arquivos

Os Estados Unidos vão exigir unilateralmente neste fim de semana que as sanções das Nações Unidas contra o Irã voltem a vigorar, medida que corre o risco de aumentar seu isolamento, mas também as tensões internacionais.

“Todas as sanções da ONU contra o Irã voltarão a vigorar neste fim de semana, às 20h00 de sábado (21h00 em Brasília)”, disse o enviado dos EUA Elliott Abrams.

No entanto, Washington está praticamente sozinho: as outras grandes potências, Rússia, China, mas também os aliados europeus dos americanos, questionam esta afirmação.

Em meados de agosto, o governo Donald Trump sofreu um revés retumbante no Conselho de Segurança da ONU em sua tentativa de estender o embargo de armas convencionais contra Teerã, que expira em outubro.

Acusando, em um ataque de rara violência, França, Reino Unido e Alemanha de terem “escolhido alinhar-se com os aiatolás” no poder na República Islâmica, o chefe da diplomacia americana Mike Pompeo desencadeou em 20 de agosto um procedimento polêmico, apelidado de “snapback”, e que deveria tornar possível restaurar todas as sanções da ONU contra o Irã um mês depois.

As sanções foram suspensas em 2015, quando Teerã se comprometeu, no âmbito de um acordo internacional, a não adquirir armas nucleares.

– Pirueta jurídica –

No entanto, Trump, após considerar insuficiente o texto negociado por seu antecessor Barack Obama, retirou os Estados Unidos do acordo em 2018, restabelecendo e até mesmo endurecendo suas próprias sanções bilaterais.

Agora, em uma pirueta jurídica, os Estados Unidos invocam seu status de país “participante” desse acordo, que abandonaram com o único objetivo de ativar o “snapback”.

Quase todos os outros países-membros do Conselho de Segurança questionam a capacidade de Washington de se valer dessa condição e, portanto, não acompanharam sua abordagem.

O diálogo de surdos continua: o governo Trump finge agir como se as sanções internacionais tivessem sido restauradas, enquanto as outras potências agem como se nada tivesse acontecido.

Os norte-americanos “vão afirmar que ativaram o snapback e, portanto, que as sanções devem ser aplicadas novamente”, mas “essa ação não tem fundamento legal” e, portanto, não pode “ter consequências jurídicas”, afirmou uma fonte diplomática europeia.

“Nada vai acontecer”, previu outro diplomata da ONU.

– “Surpresa” de Trump? –

Um terceiro diplomata lamenta o ato “unilateral” de Washington. “Rússia e China assistem com satisfação, enquanto comem pipoca, e europeus e americanos estão divididos”, disse.

No entanto, Washington insiste que o embargo de armas será estendido “indefinidamente” e que muitas atividades ligadas aos programas nucleares e balísticos de Teerã serão puníveis internacionalmente.

Os americanos também asseguram que seu país “fará tudo que for necessário para garantir que essas sanções sejam aplicadas e respeitadas”.

“Vamos impedir que o Irã adquira tanques chineses e sistemas de defesa aérea russos”, advertiu Pompeo. “Esperamos que todas as nações cumpram as resoluções do Conselho de Segurança”, acrescentou.

É aqui que o problema corre o risco de criar novas tensões.

Donald Trump poderá anunciar as chamadas sanções secundárias para punir qualquer país ou entidade que viole as sanções da ONU, bloqueando seu acesso ao mercado e ao sistema financeiro dos Estados Unidos, ainda que seja um dos únicos líderes mundiais a considerar que as sanções estão em vigor.

Seis semanas antes de concorrer a um segundo mandato, ele também pode querer “criar uma surpresa” durante seu discurso de terça-feira na Assembleia Geral da ONU “ao anunciar punição financeira” contra a instituição planetária para “marcar sua insatisfação”, teme Richard Gowan, da organização de prevenção de conflitos International Crisis Group.

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