Tensão EUA-Irã: Trump ameaça retomar ataques e ONU alerta para “guerra total”

Presidente americano acusa Teerã de "brincar" com Washington, enquanto secretário-geral da ONU expressa grande preocupação

Tensão EUA-Irã: Trump ameaça retomar ataques e ONU alerta para "guerra total"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (10) que seu país vai retomar os ataques contra o Irã, acusando Teerã de “brincar” com Washington. Em resposta, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para o grave risco de uma “guerra total” no Oriente Médio, intensificando a preocupação internacional.

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O que aconteceu

  • A tensão entre EUA e Irã escala após o presidente Donald Trump anunciar a retomada de ataques e acusar Teerã de protelar as negociações.
  • O secretário-geral da ONU, António Guterres, adverte sobre o perigo iminente de uma “guerra total” na região do Golfo.
  • Os preços do petróleo disparam, e nações como Rússia e China pedem moderação diante do agravamento dos confrontos.

“Vamos atacá-los… atacá-los com muita força”, disse Trump na Casa Branca, acrescentando que isso vai acontecer a partir de hoje. “Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos.”

Donald Trump havia dito ontem que um acordo para encerrar os mais de três meses de guerra seria anunciado em até três dias, mas, na madrugada de hoje, houve fogo cruzado.

Possíveis alvos críticos

O presidente americano indicou ao canal Fox News que pensa cada vez mais em lançar ataques contra centrais elétricas e pontes iranianas. “A infraestrutura crítica é vital. As ameaças de atacá-la não são uma demonstração de força, e sim um sinal de desespero”, publicou no X o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

O Irã havia reivindicado antes a autoria de ataques contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein, depois que forças dos Estados Unidos lançaram ataques contra a república islâmica em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache.

O Bahrein afirmou que interceptou “vários ataques aéreos iranianos”. Já o Exército da Jordânia informou que destruiu cinco mísseis iranianos que tinham como alvo Azraq, onde fica uma base americana, sem relatar vítimas ou danos materiais.

Reações internacionais e diplomacia

O Exército do Kuwait, por sua vez, afirmou que suas defesas aéreas repeliram “alvos aéreos hostis”, sem informar a procedência deles. Já a Índia anunciou hoje que três tripulantes estavam desaparecidos após um ataque do Exército americano contra um petroleiro na costa de Omã. Segundo Washington, o navio, de bandeira de Palau, tentava burlar o bloqueio dos Estados Unidos a portos iranianos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou “a escalada dos ataques e da retórica nas últimas 48 horas”, e alertou para o risco de uma “guerra total” no Golfo. Um diplomata informou à AFP que negociadores do Catar, país mediador, viajaram hoje à capital iraniana.

A escalada recente gerou pedidos de moderação por parte da Rússia e da China, aliadas do Irã. “Estamos extremamente preocupados com a nova rodada de confrontos”, declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo. Já a China pediu “medidas concretas para aliviar e reduzir a tensão”.

Questão nuclear iraniana e aliados

Em relação ao tema nuclear, um dos principais pontos de divergência entre Teerã e Washington, o Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou hoje uma resolução que exige que o Irã forneça informações sobre suas reservas de urânio e instalações de produção. O representante permanente do Irã na ONU em Viena, Reza Najafi, disse à AFP que a resolução é “contraproducente na situação atual”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou hoje os libaneses a se unir à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que seu país foi “tomado como refém” pelo grupo islamita pró-Irã.

Israel e Irã se atacaram no último domingo e segunda-feira pela primeira vez desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em abril. O Irã insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa.

Quais os impactos da escalada?

A ONU anunciou hoje o envio de uma missão ao Líbano para investigar violações de direitos humanos.

Os preços do petróleo voltaram a subir, impulsionados pelas declarações belicosas do presidente Donald Trump. O barril do Brent para entrega em agosto teve alta de 1,80%, aos 93,10 dólares, e o do WTI para julho subiu 2,08%, aos 90,03 dólares.

*Com AFP