EUA e Irã retomam negociações diplomáticas após série de ataques

Após escalada de tensões no Golfo Pérsico, Washington e Teerã buscam novo entendimento para deter conflito na região

Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Embarcações no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã 4 de maio de 2026 4 de maio de 2026. Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS

Os Estados Unidos e o Irã chegam a um novo entendimento para interromper os recentes ataques e retomar as negociações diplomáticas sobre o conflito no Estreito de Ormuz. A informação, divulgada neste domingo (28) pelo site Axios, indica que representantes dos dois países devem se reunir em Doha, no Catar, na próxima terça-feira (30).

Representantes dos dois países têm reunião prevista para a próxima terça-feira (30), em Doha, no Catar, visando à reabertura do diálogo. Uma autoridade da Casa Branca confirmou à agência Reuters que foi alcançado um acordo para interromper temporariamente as ações militares.

O que aconteceu

  • EUA e Irã retomam negociações diplomáticas após série de ataques no Golfo Pérsico.
  • Acordo provisório busca conter escalada de tensões, que incluiu lançamentos de mísseis iranianos e ameaças de Donald Trump.
  • Israel intensifica ofensiva no Líbano, enquanto Irã exige acesso a fundos para manter o entendimento.

A retomada das conversas se dá após uma nova escalada de tensão no Golfo Pérsico. Na quinta-feira (25), um navio mercante foi atingido por um projétil no Estreito de Ormuz, incidente que provocou uma série de ataques e acusações mútuas entre Washington e Teerã. Ambos os governos alegaram que o lado oposto violou o cessar-fogo provisório assinado em 17 de junho.

Neste domingo, o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein. A ofensiva iraniana ocorreu poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que poderia ordenar ações contra a liderança iraniana se o acordo não fosse cumprido.

Pouco antes da notícia sobre a retomada das negociações, Trump havia novamente endurecido o tom nas redes sociais.

“Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!”, escreveu o presidente.

Israel mantém ofensiva no Líbano

Enquanto os Estados Unidos e o Irã indicam uma tentativa de retomar o diálogo, Israel informou a realização de novos ataques contra posições do Hezbollah no sul do Líbano.

De acordo com o governo israelense, uma infraestrutura subterrânea usada pelo grupo foi destruída em uma vila da região. Esta ofensiva aconteceu um dia depois de outro bombardeio, mesmo após a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

O governo iraniano sustenta que a estabilidade na fronteira libanesa é uma das condições para a manutenção do entendimento mais amplo entre Teerã e Washington.

Acordo EUA-Irã segue sob pressão?

O acordo provisório, estabelecido em 17 de junho, prevê uma trégua de 60 dias para viabilizar negociações sobre um tratado definitivo. Os temas centrais incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, garantias referentes ao programa nuclear iraniano e outras medidas para reduzir as tensões regionais.

Apesar do recente compromisso de interromper os ataques, o cenário ainda é avaliado como instável. O Irã cancelou neste domingo uma rodada de negociações técnicas com os Estados Unidos, alegando o não cumprimento de algumas condições previstas no memorando de entendimento.

Entre as condições não cumpridas, conforme Mehdi Fazaeili, integrante do Gabinete de Preservação e Publicação das Obras do Líder Supremo do Irã, está o acesso aos recursos financeiros iranianos que deveriam ter sido descongelados.

“Uma das condições é verificar se temos acesso aos fundos descongelados. Se isso não ocorrer, essa condição não foi cumprida”, declarou Fazaeili à televisão estatal iraniana.