Forças militares dos Estados Unidos interceptaram na quarta-feira, 7, um navio petroleiro sancionado que fugiu antes de chegar à Venezuela, após rastreá-lo no Atlântico durante quase três semanas de perseguição, disseram autoridades americanas.
O Comando Europeu dos EUA anunciou a apreensão do navio antes nomeado de Bella 1 por “violações das sanções americanas” em uma publicação nas redes sociais. Os EUA vinham perseguindo o petroleiro desde o mês passado, depois que ele tentou escapar de um bloqueio americano a navios sancionados na Venezuela.
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Após a abordagem, o controle do navio foi entregue às autoridades oficiais, segundo a agência de notícias Associated Press.
Confira o momento da abordagem:
Specialized capabilities. Global impact. An unstoppable joint force.
Alongside @DeptofWar, @USCG conducted a boarding and seizure of the Motor Tanker Bella I this morning in the North Atlantic. Following a sustained shadowing effort across the Atlantic by Coast Guard Cutter… pic.twitter.com/xEmFkh4xLO
— U.S. Coast Guard (@USCG) January 7, 2026
O navio foi sancionado pelos EUA em 2024 por supostamente contrabandear carga para uma empresa ligada ao grupo militante libanês Hezbollah, que é apoiado pelo Irã.
Duas semanas de perseguição
A Guarda Costeira dos EUA tentou abordar o navio em dezembro, no Caribe, quando se acreditava que ele estivesse se dirigindo a Venezuela. O navio não conseguiu atracar nem ser carregado com petróleo.
O petroleiro, então, mudou repentinamente de rumo para escapar da perseguiçãoe estava nesta quarta-feira entre a Islândia e as Ilhas Britânicas.
Durante esse período, o Bella 1 foi renomeado para Marinera e registrado na Rússia, segundo mostram as bases de dados marítimas. Um oficial americano confirmou à AP que a tripulação do navio tinha pintado uma bandeira russa na lateral do casco.
Enquanto a Guarda Costeira o perseguia, a tripulação pintou uma bandeira russa em uma das laterais, mudou o nome da embarcação para Marinera e alterou sua matrícula, substituindo-a por uma russa.
A Rússia demonstrou preocupação com as apreensões promovidas pelos EUA de petroleiros que transportam petróleo ilícito como forma de movimentar sua economia, e tomou a decisão incomum de permitir que os navios se registrem no país sem inspeção ou outras formalidades, segundo especialistas consultados pelo The Wall Street Journal.
Segundo o jornal americano e a emissora CBS News, a Rússia chegou a enviar um submarino e outras embarcações militares para escoltar o navio e impedir sua captura, mas sem sucesso. Moscou chegou a pedir a Washington o fim da perseguição.
O Ministério russo do Exterior declarou que acompanhava com preocupação a situação do petroleiro. A pasta argumentou que “há vários dias, um navio da Guarda Costeira dos EUA vem seguindo o Marinera, embora nosso navio esteja a aproximadamente 4.000 km da costa americana”.
EUA planejam vender petróleo retido na Venezuela
O incidente com o petroleiro ocorre em um momento em que Washington e Moscou negociam uma solução para a guerra na Ucrânia e dias após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. O incidente ameaça complicar as negociações, uma vez que a Rússia ainda não aceitou a proposta de paz encaminhada pelos Estados Unidos e pelo govervo ucraniano.
O Comando Sul dos EUA, que supervisiona as atividades militares americanas na América Latina e no Caribe, afirmou nesta terça-feira que “permanece pronto para apoiar os parceiros das agências do governo dos EUA na luta contra embarcações e atores sancionados que transitam por esta região”, sem mencionar a suposta presença do submarino russo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, revelou nesta terça-feira um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo que estavam retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
rc/as (Efe, DPA, Reuters, OTS)