A semana

EUA e Talibã cansaram da guerra

Crédito: NOORULLAH SHIRZADA / AFP

FIM? Terroristas talibãs são presos na semana passada por soldados do Afeganistão: guerra de US$ 45 bilhões (Crédito: NOORULLAH SHIRZADA / AFP)

É cedo ainda para acreditar, mas o primeiro passo está sendo dado para que os EUA e o grupo fundamentalista e terrorista Talibã cheguem a um acordo de paz. O esboço de um documento com tal finalidade começou a ser costurado na semana passada: a organização islâmica deixa de permitir que o território do Afeganistão seja usado por terroristas e, em contrapartida, os EUA retiram paulatinamente as suas tropas do país. Além disso, o governo americano quer que seja aberto o diálogo entre o Talibã e as lideranças afegãs. Tropas americanas invadiram o Afeganistão logo após o atentado ao WTC, em 11 de setembro de 2001, com o objetivo de derrubar o governo Talibã que dava guarida aos terroristas do Al-Qaeda e ao seu mentor, Osama bin Laden. Atualmente, os EUA mantém no Afeganistão 14 mil soldados – cerca de sete mil deverão retornar ao seu país nos próximos meses, conforme anunciou o presidente Donald Trump.

6 mil dias

é quanto já dura a Guerra do Afeganistão. É mais que a soma da duração da Guerra da Coreia com a da Primeira e a da Segunda Guerra Mundiais

SAÚDE
A ameaça da hepatite C no Brasil

Divulgação

Estudo da OMS publicado pela revista “The Lancet”, uma das mais conceituadas publicações científicas: o Brasil e diversos países estão longe de alcançar o protocolo de eliminação da hepatite C, o que significaria reduzir em 80% a incidência da doença e em 65% os casos de morte. Se tais índices forem cumpridos, até 2030 poderão ser evitados, em todo o mundo,
1,5 milhão de óbitos decorrentes de câncer de fígado e 15,1 milhões de novas ocorrências da enfermidade.

JUSTIÇA
Sergio Moro vai importar o “plea bargain”

NELSON ALMEIDA

O sistema jurídico brasileiro incorporou a delação premiada (importada dos EUA) e o princípio do domínio do fato (trazido do direito alemão). Agora, há a proposta acalentada pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, de fazer valer aqui o “plea bargain” (herança do “Common Law”, ou seja, direito que se baseia nos costumes e na jurisprudência, também usado nos EUA). Com isso, o acusado pode ter redução de até metade da pena pleiteada pelo Ministério Público se anuir ao acordo de admissão de culpa e de colaboração, não tendo de arcar com o processo penal. Com tal instrumento, o ministro mira sobretudo o combate aos crimes de corrupção, embora pretenda empregá-lo também em outros graves delitos. O “plea bargain” deve ser proposto pelo acusado.

Risco para inocentes

Flip Schulke

Nos EUA, acordos na justiça penal chegam a 95% dos casos (dessa forma, não são levados a julgamento). Há um risco: 18% do total de presos inocentes que cumprem pena, frequentemente pobres, acabaram na cadeia porque, sem recursos financeiros para contratar um bom defensor, não tiveram outra opção a não ser o “plea bargain”.

US$ 4,3 bilhões em ações foram retirados do Brasil por investidores estrangeiros ao longo de 2018. A informação foi dada na semana passada pelo Banco Central. Havia uma década que não saía em ações tanto dinheiro do País. A vitória de Jair Bolsonaro trouxe relativo otimismo ao mercado, mas a tendência negativa se manteve.

LAVA JATO
Brasil quer R$ 2 bilhões que estão na Suíça

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em total sintonia, os Ministérios Públicos da Suíça e do Brasil estão trabalhando com um único objetivo: repatriar para cá, o quanto antes, R$ 2 bilhões que foram desviados em corrupção e lavagem de dinheiro. A Procuradoria-Geral da República montou uma lista com 60 nomes de suspeitos e a atenção se volta para eles. A procuradora Raquel Dodge pediu uma reunião com autoridades suíças. Lá existem mil contas em 42 instituições financeiras – todas as contas relacionadas com a Lava Jato. Até agora, o dinheiro repatriado foi apenas o de presos que fizeram acordo de delação premiada. Pindorama na pindaíba agradece o esforço do Ministério Público – daqui e de lá.

ANOS DE CHUMBO
Pinochet mandou matar Frei

Médicos introduziram gás mostarda no sangue de ex-presidente enquanto o operavam (Crédito:Divulgação)

Decisão histórica no Chile: pela primeira vez a Justiça condenou réus acusados pela morte de um ex-presidente. O democrata cristão Eduado Frei (foto) governou o país entre 1964 e 1970. Doze anos depois, foi morto sob a ditadura de Augusto Pinochet durante uma cirurgia de hérnia. Foram duas operações. A primeira realizada por médicos de sua confiança. Como Frei seguiu sentindo dores, houve outro procedimento feito por médicos militares ligados a Pinochet. Ficou provado que
essa equipe introduziu tálio e gás mostarda no organismo do paciente. Isso levou o ex-presidente ao choque séptico que o matou. Os médicos assassinos foram condenados a dez anos de prisão.

 

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