Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Força-tarefa internacional criada para fazer valer sanções confiscou bilhões em ativos de oligarcas e do Banco Central russo desde o início da guerra de agressão do Kremlin contra a Ucrânia.A força-tarefa criada para fazer valer as sanções internacionais contra a Rússia congelou mais de US$ 330 bilhões (em torno de R$ 1.725 trilhão) em recursos financeiros de propriedade de membros da elite russa e do Banco Central de Moscou.

A informação foi dada nesta quarta-feira (29/08) em nota emitida pelo próprio grupo, chamado Força-Tarefa para Elites, Representantes e Oligarcas Russos (Repo, na sigla em inglês), criada pelos principais aliados da Ucrânia.

Segundo o comunicado, foram bloqueados US$ 30 bilhões de oligarcas próximos do Kremlin e autoridades do regime de Vladimir Putin. Outros US$ 300 bilhões do Banco Central russo também foram congelados.

Entre os bens confiscados estão Imóveis e iates de luxo de magnatas. “Juntos, vamos assegurar que nossas sanções continuem a impor custos à Rússia, por sua agressão contínua e não provocada na Ucrânia”, afirmou o grupo, na nota divulgada pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

A Repo foi formada em 17 de março, três semanas após o início da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, por iniciativa da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, e do procurador-geral, Merrick Garland, em conjunto com autoridades de finanças e de Justiça da Alemanha, Austrália, França, Canadá, Japão, Itália e Reino Unido.

A Comissão Europeia criou sua própria força-tarefa de confisco e apreensão, de modo a colaborar com a Repo. O objetivo dos aliados é aumentar a pressão econômica sobre Moscou.

A força-tarefa age continuadamente na apreensão de bens luxuosos e mega iates de oligarcas ligados ao líder russo, Vladimir Putin. Ela também trabalha para isolar Moscou do sistema financeiro global, tonando mais difícil para o Kremlin utilizar seu dinheiro no mercado internacional e continuar a financiar a guerra.

Os membros da força-tarefa prometeram continuar seu trabalho, no intuito de “aumentar os custos da guerra para a Rússia”. Eles vêm obtendo êxito em restringir a habilidade de Moscou de adquirir tecnologias avançadas.

Legalidade contestada

Ao mesmo tempo, aumentam nos EUA as preocupações sobre a legalidade dessas ações, uma vez que o confisco de bens de cidadãos não americanos ocorre por fora do sistema judicial. Dessa forma, indivíduos que sofreram consequências graves não têm meios de contestar judicialmente as ações das quais são alvos.

Alguns especialistas advertem que as apreensões podem ter consequências sobre pessoas inocentes que nada têm a ver com a guerra, em razão da grande variedade de alvos. A União Americana das Liberdade Civis (ACLU) chegou a contestar algumas das leis criadas recentemente para facilitar o confisco de bens por parte das autoridades dos EUA.

O governo americano, por sua vez, argumenta que, em meio a um ambiente de guerra que gerou uma crise alimentícia global, é preciso “maximizar o impacto das sanções sobre determinados indivíduos e entidades, enquanto cuidamos para evitar alastramentos que afetem os mercados globais de commodities e o abastecimento de alimentos”.

No último domingo, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Japão anunciaram que vão proibir a compra de ouro russo, de modo a evitar que o país e seus magnatas possam utilizar essa commodity para driblar as sanções.

rc (AFP, AP)