O embaixador dos Estados Unidos junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), Francisco Mora, declarou nesta quinta-feira (20) que espera que o fórum cumpra sua promessa de “não abandonar o povo nicaraguense”, adotando uma resolução contra a Nicarágua durante sua assembleia geral.

Os países membros da OEA estão debatendo os textos das resoluções que serão votadas na assembleia geral, prevista para ocorrer entre 26 e 28 de junho no Paraguai.

A Nicarágua, que formalmente deixou de ser membro da organização há sete meses a pedido do presidente Daniel Ortega, mais uma vez será o foco principal da assembleia geral.

“Tenho muita confiança de que a assembleia geral adotará uma resolução muito forte sobre a Nicarágua”, afirmou Mora em uma coletiva de imprensa em Washington.

O texto denunciará “abusos contínuos e violações dos direitos políticos civis mais básicos” e “direitos humanos”, disse ele.

Além disso, instará Ortega a “respeitar” os tratados de direitos humanos e enfatizará que a OEA “não ignorará, descartará ou negligenciará o que está acontecendo no país, não abandonará o povo nicaraguense e continuará lançando luz sobre os abusos”, insistiu.

“Vocês verão uma linguagem forte que reflete, eu estimo, a indignação que muitos de nós sentimos pelo que está ocorrendo neste país”, adiantou.

A situação da Nicarágua perante a comunidade internacional tem se agravado devido à repressão aos protestos de 2018 contra Ortega, que está no poder desde 2007 e foi reeleito sucessivamente.

Mora também considera “muito provável” que uma resolução seja adotada sobre o Haiti, imerso em uma profunda crise, para apoiar o país caribenho “não apenas na dimensão de segurança, mas também humanitária”.

A 54ª assembleia geral da OEA, a última de Luis Almagro como secretário-geral, tem quatro áreas como foco: defesa da democracia, direitos humanos, segurança e desenvolvimento, explicou Mora.

A prioridade dos Estados Unidos é “fortalecer esta instituição” apesar de seus “desafios”, pois é uma plataforma “única e importante” para lidar com problemas transnacionais, afirmou.

Mora também expressou preocupação com a Venezuela, que realizará eleições presidenciais em 28 de julho.

“Estamos preocupados com o fato de a União Europeia não ter observadores nas eleições” depois que o presidente Nicolás Maduro retirou o convite deles, disse.

“É importante que não sejamos ingênuos sobre a situação na Venezuela”, onde aumentam o número de prisões de pessoas que apoiam o opositor Edmundo González, principal rival de Maduro, que busca um terceiro mandato.

“A comunidade internacional deve continuar pressionando Maduro para realizar eleições justas e credíveis” na Venezuela, concluiu Mora.

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