EUA cobrirá custos de processos para silenciar jornalistas no exterior

EUA cobrirá custos de processos para silenciar jornalistas no exterior

Os Estados Unidos dedicarão recursos para ajudar os jornalistas no exterior a enfrentarem os custos de processos oportunistas que têm o objetivo de silenciá-los, anunciou nesta quinta-feira (4) a diretora da agência americana para o desenvolvimento internacional (USAID, na sigla em inglês), Samantha Power.

A titular da USAID também prometeu aumentar drasticamente a assistência a grupos locais e fazer com que essa ajuda seja mais inclusiva e efetiva.

Power, uma ex-repórter, disse que o governo de Joe Biden estabelecerá um “fundo global de defesa contra a difamação” para jornalistas como parte de sua agenda de promoção da democracia.

“Ofereceremos a cobertura [de custos] para sobreviver às denúncias de difamação ou dissuadir os autocratas e oligarcas de tentar processá-los para retirá-los de circulação”, disse Power na escola de relações internacionais Edmund Walsh da Universidade de Georgetown, uma das mais influentes do mundo.

A dirigente acrescentou que as conversas que manteve com jornalistas internacionais mostraram que os regimes autocráticos usam cada vez mais a “tática crua, mas efetiva” de processar os meios de comunicação em dificuldades financeiras para matar as histórias que não lhes agradam.

“Na medida em que os autocratas se tornam mais inteligentes em suas tentativas de controlar e manipular as pessoas, devemos ajudar a apoiar uma imprensa mundial livre e justa para que os líderes prestem contas”, afirmou.

Power, contudo, não deu detalhes de como funcionará o fundo e nem se o mesmo também será utilizado para apoiar jornalistas em países aliados dos Estados Unidos.

Biden planeja realizar uma cúpula em dezembro para apoiar a democracia com o objetivo de mostrar uma mudança em relação a seu antecessor Donald Trump, que abraçou líderes autocráticos e denunciou persistentemente o papel dos meios independentes.

Os críticos, no entanto, provavelmente apontarão uma contradição no posicionamento de Washington, já que continua solicitando ao Reino Unido a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que se considera um jornalista e enfrentaria uma pena de prisão perpétua por vazar documentos sigilosos dos Estados Unidos.