Em tom conciliador, Trump recebe Xi Jinping na Casa Branca e exalta ‘grande amizade’

Presidentes Donald Trump e Xi Jinping se encontram na Casa Branca para encontro conciliador apesar de desafios

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, se encontraram nesta quarta-feira, 24 de setembro, na Casa Branca, em um evento marcado por cordialidade e gestos conciliatórios. Em meio a tensões geopolíticas e comerciais, os líderes enfatizaram a importância da amizade e da cooperação mútua. Trump declarou ter desenvolvido uma “verdadeira e grande amizade” com o líder asiático, destacando o respeito mútuo e os interesses vitais de seus povos.

Os elogios do republicano Donald Trump ao líder chinês começaram antes do encontro, em uma publicação nas redes sociais. Nela, o presidente americano mencionou ter encontrado o colega no avião presidencial e destacou que ele “parecia forte, enérgico e em excelente forma”. O magnata acrescentou ainda que a primeira-dama da China, Peng Liyuan, estava “deslumbrante”.

“Em maio, tivemos o grande privilégio de visitá-lo em Pequim, onde nossa delegação foi recebida com uma extraordinária e maravilhosa hospitalidade. Agora, Melania e eu temos a honra de recebê-lo em Washington. Desde a minha primeira eleição, em 2016, o presidente Xi e eu forjamos uma amizade, uma verdadeira e grande amizade, fundada no respeito mútuo e nos interesses vitais de nossos povos”, declarou Trump.

Visita histórica e parcerias futuras

O presidente americano destacou que a visita de Xi Jinping ocorre “em um momento importante da história americana”, em referência aos 250 anos da fundação dos Estados Unidos. O plano incluía visitas aos Arquivos Nacionais para observar “alguns dos maiores tesouros dessa história gloriosa”, além de evidências de uma longa relação entre China e EUA e suas trocas culturais.

“Assim como nossos ancestrais cruzaram o oceano séculos atrás para comercializar, aprender e construir um mundo melhor, nossos dois países fazem o mesmo hoje, e estamos muito orgulhosos dessa trajetória e dessa parceria. Trabalhando juntos, o presidente Xi e eu fizemos progressos tremendo”, afirmou o presidente dos EUA.

Adotando uma postura igualmente conciliadora, o mandatário chinês ressaltou que as duas potências “têm a responsabilidade histórica de promover o progresso da humanidade”. Ele também destacou ter desenvolvido “uma relação pessoal” com Donald Trump, reforçando o tom cordial do encontro.

O que é a armadilha de Tucídides e a rivalidade tecnológica?

Xi Jinping acrescentou que Pequim e Washington devem “coexistir e cooperar” como líderes globais, enfatizando a necessidade de “evitar a Armadilha de Tucídides”. Esta teoria acadêmica descreve o risco de conflito armado quando uma potência emergente desafia uma hegemonia consolidada. O líder chinês defendeu também que as nações garantam que a inteligência artificial se desenvolva sob “controle humano”.

Como gesto simbólico de amizade, Xi Jinping anunciou o envio de dois pandas a um zoológico americano “em poucos dias”, um movimento diplomático tradicional da China. O avião de Xi foi recebido com uma cerimônia suntuosa, que incluiu um tapete vermelho de 30 metros ladeado por militares americanos, um sobrevoo de dois bombardeiros B-1 e a execução dos hinos nacionais de ambos os países.

Tensões comerciais e a corrida pela IA

Apesar do clima amistoso, a crescente guerra comercial permanece como um dos temas mais delicados da agenda bilateral, ao lado da corrida pelo desenvolvimento da IA e da instabilidade geopolítica. Para o jantar de Estado em homenagem a Xi, a Casa Branca convidou grandes nomes do setor de tecnologia, incluindo executivos da OpenAI, Apple, Microsoft, Nvidia e Meta.

A disputa entre Estados Unidos e China para liderar tecnologias de ponta é intensa, mas o avanço acelerado dos modelos de IA tornou-se um ponto de atenção prioritário. Líderes da indústria já emitiram alertas públicos sobre os riscos dessa corrida tecnológica, tornando o tema central nas discussões de alto nível entre as duas nações.