Os Estados Unidos bombardeiam o Irã na região do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, 26, em retaliação ao que o governo americano classificou como “violação do cessar-fogo”. São os primeiros ataques diretos entre os dois países desde a assinatura de um acordo de paz inicial em 17 de junho, que visava reabrir o estreito e negociar o programa nuclear iraniano.
O que aconteceu
- Estados Unidos realizam bombardeios no Estreito de Ormuz após acusações de violação de cessar-fogo pelo Irã.
- Ataques americanos miraram depósitos de mísseis e drones iranianos, bem como equipamentos de radar.
- Operação da ONU para evacuação de navios no Golfo foi suspensa após um ataque, e Irã emitiu alerta de segurança.
Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), aeronaves americanas atacaram depósitos de mísseis e drones iranianos, além de equipamentos de radar no litoral sul do país. O regime iraniano confirmou ataques a um píer na cidade de Sirik, na porção leste do estreito, em decorrência da ação militar americana.
Horas antes dos bombardeios, o presidente Donald Trump anunciou que o Irã havia lançado ao menos quatro drones de ataque contra embarcações que atravessavam o estreito. Um deles atingiu o convés superior de um navio de carga — que sofreu danos, mas conseguiu seguir viagem. Os outros três foram abatidos pelas forças americanas.
Trump reage a ataques
“Obviamente, esta é uma violação tola do nosso acordo de cessar-fogo”, postou Trump em sua rede social. Questionado sobre a resposta americana, o presidente havia dito apenas: “Você vai ficar sabendo em breve”, sinalizando a iminência da retaliação militar.
“A agressão injustificada de forças iranianas contra navios comerciais violou claramente o cessar-fogo. Além disso, a conduta perigosa do Irã comprometeu a liberdade de navegação em um momento em que o fluxo comercial através desse corredor vital é crescente”, afirmou o Centcom em comunicado oficial.
Qual o impacto na navegação?
Na quinta-feira, 25, a agência marítima da ONU havia suspendido uma operação para retirar centenas de navios do Estreito de Ormuz após uma embarcação ser atacada no Golfo de Omã. A companhia britânica de segurança UKMTO confirmou que um porta-contêineres foi atingido por um projétil ao tentar atravessar o estreito, a cerca de 14 km do porto de Dahit, em Omã.
“Esse navio não constava sob o quadro de evacuação da agência”, afirmou Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI). A operação, iniciada na terça-feira, 23, permitia que navios e tripulantes deixassem o Golfo por duas rotas — uma via águas iranianas e outra por águas de Omã, sob supervisão americana. Segundo dados preliminares da OMI, cerca de 57 navios com aproximadamente 1.100 tripulantes haviam atravessado o estreito até a quinta-feira.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada pelo Irã para gerenciar o corredor, advertiu também na quinta que embarcações que trafegarem fora das rotas estabelecidas não terão garantia de passagem segura. “As consequências decorrentes da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação”, disse o órgão. As autoridades ainda não confirmaram a autoria dos ataques da quinta-feira nem a gravidade dos danos.