EUA apertam restrições de viagem por causa da ômicron

EUA apertam restrições de viagem por causa da ômicron

Todos os viajantes com destino aos Estados Unidos terão que apresentar teste negativo para covid-19 realizado até 24 horas antes do embarque. Passageiros que não usarem máscaras estão sujeitos a multas de até US$ 3 mil.O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou nesta quinta-feira (02/12) sua estratégia para combater as variantes ômicron e delta do coronavírus neste inverno, incluindo novas exigências para viajantes internacionais, inclusive cidadãos americanos que retornarem ao país.

A partir da semana que vem, todos os viajantes com destino aos EUA, vacinados ou não, terão que mostrar um comprovante de teste negativo para o coronavírus realizado até 24 horas antes do embarque. A regra anterior previa um período de até 72 horas.

“Este prazo de testagem mais apertado fornece um grau a mais de proteção enquanto cientistas continuam a estudar a variante ômicron”, disse Biden.

Além disso, Biden estenderá a obrigatoriedade do uso de máscaras por passageiros de aviões, trens e ônibus até 18 de março, em vez de expirar em meados de janeiro, como estava previsto. Quem descumprir a regra está sujeito a multas entre 500 e 3 mil dólares.

As medidas foram anunciadas dias depois de a Casa Branca proibir, em reação à descoberta da nova variante ômicron, a entrada no país de estrangeiros que tenham estado na África do sul ou em outros sete países africanos nos 14 dias anteriores. A proibição não se aplica cidadãos americanos e residentes permanentes.

Ao ser questionada por que a exigência de teste negativo não valerá para passageiros de voos domésticos, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que nada está descartado.

A variante ômicron

Detectada inicialmente em amostras coletadas na África do Sul e no vizinho Botsuana na primeira metade de novembro e comunicada à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 24, a ômicron foi classificada como “variante de preocupação” pela agência da ONU.

Por conter 32 mutações na chamada proteína spike, teme-se que a nova cepa possa ser mais contagiosa e driblar a proteção de vacinas. Mas ainda não há dados suficientes para confirmar isso, nem se a variante provoca casos mais graves de covid-19.

A ômicron já foi detectada em mais de 20 países. Por enquanto, o Brasil é o único país latino-americano com presença detectada da nova variante, com cinco casos confirmados, três em São Paulo e dois em Brasília.

Nos EUA, o primeiro caso foi confirmado nesta quarta-feira, na Califórnia. Depois disso, várias outras infecções pela variante foram registradas no país, incluindo mais uma na Califórnia e cinco no estado de Nova York.

A variante delta, por sua vez, é atualmente a variante dominante no mundo.

Testes gratuitos e doses de reforço

As novas medidas anunciadas por Biden nesta quinta também incluem testes gratuitos e cobertos por seguradoras de saúde.

O governo vai requerer que seguradoras privadas reembolsem seus 150 milhões de clientes pelo custo de testes caseiros e fornecerá 50 milhões de testes a serem disponibilizados gratuitamente em clínicas rurais e unidades de saúde que atendem pessoas sem seguro. Biden afirmou que os testes gratuitos estarão disponíveis para serem coletados em milhares de locais.

Além disso, o governo está apelando para que todos os americanos aptos a se vacinarem ou tomarem uma dose de reforço o façam.

Menos de 60% da população dos EUA, ou 196 milhões de pessoas, já foi completamente vacinada – uma das taxas mais baixas entre países ricos.

O governo afirmou que mais 100 milhões de pessoas estão aptas a tomar o reforço. O Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmou que todos os adultos vacinados devem receber uma dose adicional diante da diminuição da proteção oferecida por vacinas com o passar do tempo e do aparecimento da ômicron.

“Vamos combater essa variante com ciência e velocidade, e não caos e confusão”, disse Biden nesta quinta, alertando que as infecções vão aumentar no inverno. “As ações que estou anunciado devem nos unir na luta contra a covid-19.”

lf (Reuters, AP, AFP)