Trump atinge Irã com novas sanções mas mantém acordo nuclear

Trump atinge Irã com novas sanções mas mantém acordo nuclear

Em linha com seu antecessor, Donald Trump se afastou nesta terça-feira (18) da promessa de campanha de suspender o acordo de restrição nuclear com o Irã, ao anunciar que manterá o tratado, mas aprovou novas sanções por seu programa de mísseis balísticos.

O presidente republicano decidiu na segunda-feira à noite que o acordo nuclear, conhecido como “Joint Comprehensive Plan of Action” (JCPOA), assinado em 14 de julho de 2015 pelo Irã e as grandes potências (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) continuaria a ser aplicado.

Em contrapartida, em um contexto de grande tensão nas relações entre Washington e a República Islâmica xiita, o Departamento de Estado e o do Tesouro impuseram nesta terça-feira novas sanções jurídicas e financeiras contra 18 pessoas e entidades iranianas ligadas ao programa de mísseis balísticos e à Guarda da Revolução, exército de elite do regime.

“Estados Unidos continuam profundamente preocupado com as perniciosas atividades de Irã através do Oriente Médio que minam a estabilidade, a segurança e a prosperidade da região”, protestou a porta-voz da diplomacia americana, Heather Nauert.

Ela também denunciou o “apoio do Irã a grupos terroristas como o Hezbollah, o Hamas e a Jihad Islâmica palestina que amenaaçam Israel e a estabilidade do Oriente Médio”. O Departamento de Estado justificou ainda o apoio iraniano ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad, bem como aos rebeldes xiitas huthis no Iêmen.

– ‘Monstruoso’ –

“O Irã permanece como uma das ameaças mais perigosas para os interesses dos Estados Unidos e para a estabilidade regional”, afirmou a Casa Branca antes do anúncio das novas sanções.

Entre as principais preocupações do governo figuram a melhoria das capacidades de mísseis do Irã, o apoio ao governo sírio, os abusos contra os direitos humanos e a detenção de americanos.

Neste sentido, a diplomacia americana exigiu a “libertação imediata de todos os cidadãos americanos detidos injustamente no Irã”, incluindo o último Xiyue Wang, um doutorando condenado no último fim de semana a dez anos de prisão por “infiltração”.

Enfim, Washington criticou “o balanço monstruoso em matéria de direitos Humanos”.

Sobre o reforço das sanções, o Irã “condenou ação sem valor dos Estados Unidos de import sanções ilegais contra novas pessoas”.

Em resposta, o ministério iraniano das Relações Exteriores prometeu que irá “sancionar novos indivíduos e entidades americanas que agiram contra o povo iraniano e os povos muçulmanos da região”.

Nesta terça, o Parlamento iraniano começou a estudar uma lei para reforçar o programa balístico e a Força Qods, dos Guardiães da Revolução, para lutar contra as ações “terroristas” de Washington. Trata-se das forças de elite do Exército encarregadas das operações no exterior, sobretudo, na Síria.

“A mensagem é clara, e os americanos devem entender isso. O que estão fazendo se dirige contra o povo iraniano, e o Parlamento resistirá com todas as suas forças”, garantiu o presidente da Assembleia, Ali Larijani.

Sobre a questão nuclera, em junho passado, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – órgão da ONU que monitora a aplicação do “Joint Comprehensive Plan of Action” (JCPOA) – parabenizou o Irã pelo respeito aos compromissos adquiridos.

Sob os termos do acordo, firmado há dois anos, Teerã reduziu a produção de material nuclear em troca da suspensão de diversas sanções econômicas.

Na segunda-feira (17), o governo Trump admitiu que Teerã “cumpre as condições” do texto.

Desde que o pacto entrou em vigor, em 16 de janeiro de 2016, o Executivo americano deve “certificá-lo” a cada 90 dias no Congresso, ou seja, confirmar que Teerã respeita os termos estabelecidos.

Ontem, venceu mais um prazo imposto pelo Congresso ao Executivo para informar se o Irã deteve seu programa de armas nucleares.

O governo Trump “certificou” esse acordo pela primeira vez em abril. Em maio, o presidente republicano já havia dado continuidade à política de seu antecessor Barack Obama, no que diz respeito à suspensão das sanções vinculadas ao programa nuclear. Na sequência, porém, o Executivo lançou uma revisão de sua postura.

O acordo repousa sobre uma série de pontos técnicos e foi visto em Washington como uma forma de evitar uma ação militar para impedir que o Irã obtivesse a arma nuclear. Não aliviou, porém, as tensões entre Teerã e Washington. Ambos continuam em lados opostos em conflitos no Oriente Médio, como na Síria e no Iêmen.

Durante a campanha eleitoral, Trump denunciou esse acordo nuclear e prometeu renegociá-lo, sendo mais duro com o Irã.

Para o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, que passou na segunda-feira (17) pela sede da ONU em Nova York, o governo Trump envia sinais contraditórios” sobre a vontade dos Estados Unidos de respeitar esse acordo a longo prazo.