EUA anuncia a captura de mais um petroleiro no Mar do Caribe

A apreensão do petroleiro Veronica eleva para seis o número de embarcações capturadas em solo internacional desde o início de janeiro

EUA apreende novo petroleiro no Caribe

As forças militares dos Estados Unidos realizaram, na madrugada desta quinta-feira, 15, a apreensão do petroleiro Veronica em águas do Caribe. A operação, confirmada pelo Comando Sul (Southcom), eleva para seis o número de embarcações capturadas em solo internacional desde o início de janeiro, consolidando a estratégia de “quarentena” naval imposta pelo governo de Donald Trump contra o setor petrolífero venezuelano.

A abordagem do Veronica ocorreu antes do amanhecer e foi executada a partir do porta-aviões USS Gerald R. Ford. Em comunicado oficial, o Comando Sul afirmou que o navio operava “em desafio à quarentena estabelecida” e reforçou que “o único petróleo que sairá da Venezuela será aquele coordenado de forma adequada e legal”. Vídeos divulgados pelos militares mostram soldados descendo de rapel para o convés da embarcação em plena escuridão.

Cronologia da pressão naval

A captura do Veronica não é um fato isolado, mas o desdobramento de uma ofensiva que ganhou tração na última semana. Na sexta-feira, 9 de janeiro, o Southcom já havia anunciado a apreensão do petroleiro Olina (antigo Minerva M), também no Caribe, sob a acusação de utilizar bandeiras falsas para burlar o monitoramento internacional.

Dias antes, em 7 de janeiro, outras duas grandes operações foram registradas. O petroleiro Marinera (ex-Bella 1), de bandeira russa, foi capturado no Atlântico Norte após uma perseguição que contou com apoio logístico do Reino Unido. Simultaneamente, no Caribe, as forças americanas tomaram o controle do M. Sophia, embarcação vinculada a redes de transporte de petróleo bruto venezuelano.

Impactos econômicos e políticos
A estratégia de Washington visa asfixiar a principal fonte de receita da gestão de Nicolás Maduro. Segundo dados da S&P Global Ratings, o bloqueio naval tem provocado volatilidade nos preços do petróleo e dificultado a logística da chamada “frota fantasma” — navios que desligam transponders e alteram nomes para ocultar a origem da carga.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, reiterou que o bloqueio do petróleo sancionado “segue em pleno vigor em qualquer parte do mundo”. Especialistas indicam que a intensificação das capturas sinaliza uma postura mais assertiva dos EUA em relação à soberania marítima e ao cumprimento de sanções econômicas, tratando o fluxo de energia da Venezuela como uma questão de segurança nacional.

Com informações da AFP