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‘Eu fui um refém no país pelo qual me dediquei por 17 anos’, diz Ghosn

Crédito: JOSEPH EID / AFP

O executivo Carlos Ghosn participou de coletiva de imprensa em Beirute (Crédito: JOSEPH EID / AFP)

“Eu sou inocente de todas as acusações”, disse Carlos Ghosn, em sua primeira entrevista após ter fugido do Japão para Beirute, no Líbano. Segundo o executivo brasileiro de origem libanesa, o seu caso foi político e montado por executivos da Nissan, em conjunto com o promotor japonês que o acusou de quatro crimes, incluindo uso de dinheiro da montadora para uso pessoal e não declaração de bens recebidos. Segundo Ghosn, a principal acusação trata de um dinheiro que nunca foi aprovado pelo conselho de administração ou recebido por ele.

Para o executivo, o sistema acusatório japonês é arcaico. “Eu fui um refém no país pelo qual me dediquei por 17 anos. Fui mantido em regime solitário, sem falar com pessoas por até seis dias, sendo interrogado por até oito horas, dia e noite, sem advogado, e sem poder falar com a minha esposa”, disse.

“Eles queriam quebrar o meu espírito e me obrigar a confessar. Eu não escapei da justiça, eu fugi da injustiça e da perseguição política.” Segundo ele, foi uma tentativa de assassinato de reputação, e “eles foram bem sucedidos nisso”.

“Fui acusado de ser um ditador frio e ganancioso”, disse. “Mas eu neguei em 2009 um convite para ser CEO da GM, com o dobro do salário. Mas preferi ficar no Japão e não abandonar o barco durante a crise. Alguém ambicioso faz isso? Agora sei que foi um erro.”

Ajuda do governo brasileiro

Carlos Ghosn afirmou que o cônsul do Brasil no Japão, João Mendonça, foi “muito amigo” e o ajudou por conta de sua prisão, mas considera que o governo do País não o tratou da forma correta.

“O presidente (Jair) Bolsonaro afirmou num jornal, quando perguntado se estava pronto a falar do meu caso, que não queria fazer isso para não atrapalhar as autoridades japonesas”, disse Ghosn.

“Claro que não gosto desse tipo de declaração, mas a respeito. Eu estava esperando mais ajuda por parte do governo brasileiro, o que não aconteceu, infelizmente.”

Entre a fusão e a prisão

O executivo disse que estava em negociações adiantadas para fazer uma fusão da aliança entre Renault, Nissan e Mitsubishi com a FCA, quando foi preso.

“A conclusão do negócio não estava longe quando fui preso”, disse. “Foi uma grande perda para a Renault. E agora é uma grande oportunidade para a PSA (que fechou o negócio com a FCA).”

Segundo ele, as acusações que sofre no Japão fizeram o grupo perder um negócio que seria “imperdível”. “Agora, Nissan, Renault e Mitsubishi são as únicas montadoras que estão perdendo venda, enquanto o mercado inteiro cresce”, diz.

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