Tecnologia & Meio ambiente

Estudo relata primeiros sinais de planeta fora da Via Láctea


ROMA, 26 OUT (ANSA) – Pela primeira vez na história, astrônomos observaram evidências de um planeta fora de nossa galáxia, a Via Láctea.   

O astro seria tão grande quanto Saturno, cujo diâmetro é nove vezes maior que o da Terra, e fica na galáxia Messier 51 (também chamada de galáxia do Redemoinho devido a seu formato em espiral), a 28 milhões de anos-luz do nosso planeta.   

Publicada na revista Nature Astronomy, a descoberta foi feita por um grupo internacional guiado por astrônomos do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, a partir do estudo de raios-x observados pelo telescópio espacial Chandra, da Nasa.   

O candidato a planeta foi detectado em um sistema binário chamado M51-ULS-1, provavelmente formado por um buraco negro ou uma estrela de nêutrons que atrai o gás de uma estrela próxima.   

Dessa forma, o material próximo ao buraco negro ou à estrela de nêutrons superaquece e emite ondas de raio-x. Ao passar em frente a essa região, o suposto planeta bloqueia os raios-x e se torna detectável por telescópios – no caso, o Chandra.   

Esse astro bloqueou os raios-x durante três horas, o que permitiu aos astrônomos inferir seu tamanho. Ele também orbitaria o buraco negro ou a estrela de nêutrons em uma distância duas vezes superior à de Saturno em relação ao Sol.   

Buracos negros e estrelas de nêutrons são o resultado da “morte” de estrelas com massas muito superiores à do Sol e se caracterizam pela densidade extrema.   

Os primeiros são tão densos e possuem campo gravitacional tão forte que sequer a luz consegue escapar de seu interior, por isso não é possível enxergá-los. Já as segundas são o espólio de supernovas de estrelas bastante massivas, mas ainda assim sem massa suficiente para se tornar buracos negros.   

Uma estrela de nêutrons tem diâmetro estimado entre 10 e 30 quilômetros, ou seja, é menor que uma cidade como São Paulo, mas uma colher de chá de sua matéria pesaria tanto quanto o Monte Everest.   

Serão necessários novos estudos para comprovar que o astro visto em Messier 51 trata-se mesmo de um planeta, mas, devido ao tamanho de sua órbita, ele leva pelo menos 70 anos para voltar à mesma região.   

Até agora, milhares de exoplanetas já foram descobertos por cientistas, mas todos eles na Via Láctea, a galáxia onde fica a Terra. (ANSA).   


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