Estudo italiano identifica 20 novas obras de Michelangelo

ROMA, 20 FEV (ANSA) – Em um trabalho minucioso que pode reescrever um capítulo fundamental da história da arte, a pesquisadora italiana Valentina Salerno atribuiu 20 obras até agora desconhecidas ou de autoria incerta ao gênio renascentista Michelangelo Buonarroti (1475-1564).   

O estudo, intitulado “Michelangelo: os últimos dias” e divulgado pelo jornal romano Il Messaggero, reconstrói o período final da vida do artista, a partir da comparação de dezenas de documentos de arquivos italianos e estrangeiros.   

Salerno descobriu que Michelangelo não destruiu obras inacabadas que eram mantidas em sua casa em Roma, incluindo esboços, desenhos e esculturas, como se acreditou durante séculos. Pelo contrário: o gênio do Renascimento teria ordenado que discípulos e amigos as escondessem em um local secreto em Roma para evitar que caíssem em mãos erradas.   

A grande virada na pesquisa veio com a descoberta de um documento que descreve a existência de um cômodo selado onde bens preciosos do artista foram ocultados. “Era um material tão valioso que previa um sistema de múltiplas chaves para ser aberto”, explica Salerno, acrescentando que essa sala está vazia “há mais de 400 anos” O trabalho chamou atenção do cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro, no Vaticano, que instituiu um comitê científico com especialistas dos principais museus do mundo para validar as descobertas.   

A credibilidade do estudo também foi reforçada por um leilão realizado pela Christie’s, em Londres, no último dia 5 de fevereiro, quando um esboço do pé da Sibila Líbia, sacerdotisa retratada por Michelangelo no teto da Capela Sistina, foi vendido por US$ 27 milhões (R$ 140 milhões). O desenho foi atribuído ao artista seguindo exatamente a mesma linha de pesquisa de Salerno.   

“Meu coração deu um salto ao ver a notícia”, confessou a pesquisadora, enxergando na venda um reconhecimento público de sua tese. (ANSA).