ROMA, 7 JAN (ANSA) – Uma equipe internacional de cientistas liderada por Alejandro Benitez-Llambay, do departamento de física da Universidade de Milão-Bicocca, em colaboração com pesquisadores do Canadá e dos Estados Unidos, anunciou a detecção da primeira “galáxia fantasma” observada na astronomia.
Trata-se de Cloud-9, um imenso halo de matéria escura e gás hidrogênio, totalmente desprovido de estrelas, localizado a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra, nas proximidades da galáxia espiral M94.
O estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, descreve Cloud-9 como o primeiro candidato definitivo a um objeto do tipo Relhic (acrônimo em inglês para nuvem de hidrogênio limitada por reionização).
Essa classe de objetos, prevista pela teoria cosmológica de referência, mas nunca antes observada, consiste em halos massivos o bastante para reter gás, mas não o suficiente para superar a pressão térmica e iniciar o processo de formação estelar. O resultado é o que os cientistas chamam de uma “galáxia fracassada” ou “galáxia fantasma”.
“Apesar de sua massa e da presença de gás, Cloud-9 não é uma galáxia. Nesta área, que se estende por mais de 4,5 mil anos-luz, não brilha uma única estrela”, explicou Benitez-Llambay.
A jornada para desvendar o enigma começou em 2023, com a primeira detecção do objeto pelo radiotelescópio Fast, na China, o maior do mundo, com 500 metros de diâmetro. Após esta pista inicial, os pesquisadores direcionaram o poderoso radiotelescópio Karl G. Jansky Very Large Array (VLA), nos Estados Unidos, para observá-lo.
A confirmação final chegou com o telescópio espacial Hubble, que foi direcionado para essa região escura durante oito órbitas completas (cerca de 13 horas) de observação profunda.
Segundo os pesquisadores, o Cloud-9 pode ser uma janela interessante para estudar as propriedades da matéria escura, o misterioso componente cósmico observável somente por meio de seus efeitos gravitacionais, bem como para entender por que algumas galáxias se formam e outras não. (ANSA).