Estudo aponta 4,3 mil abusos cometidos por multinacionais em 20 anos

PISA, 15 JAN (ANSA) – Um estudo internacional documentou 4.314 casos de supostos abusos de direitos humanos e ambientais cometidos por grandes empresas multinacionais europeias entre 2000 e 2020.   

Os dados fazem parte do novo banco de dados “Brave”, disponibilizado online no âmbito do projeto europeu “Horizonte Europa Rebalance”, coordenado pela Universidade de Pisa.   

De acordo com a pesquisa, 98% das grandes multinacionais europeias monitoradas cometeram ao menos um abuso no período analisado. O banco de dados reúne casos envolvendo 83 das maiores empresas do continente, com ocorrências registradas em 145 países ao redor do mundo.   

Os níveis mais altos de violações são registrados no Brasil e nos Estados Unidos, com 6% dos casos cada, seguidos pela Nigéria e Colômbia, com 5%.   

Os abusos mais frequentes estão relacionados ao meio ambiente e à saúde: mais de mil casos de impactos ambientais e quase 800 ligados a problemas de saúde. As violações de direitos trabalhistas aparecem em quase 500 registros.   

O levantamento também inclui episódios considerados extremamente graves, como escravidão, tortura e tráfico de pessoas.   

Segundo “a análise temporal” do estudo, houve um aumento significativo dos abusos na primeira década dos anos 2000, seguido por uma queda gradual após 2015, o que sugere possíveis avanços na responsabilização corporativa e no fortalecimento da fiscalização regulatória.   

Sob o ponto de vista geográfico, as violações dentro da Europa permanecem relativamente limitadas. Em contrapartida, os dados evidenciam o impacto extraterritorial das atividades das multinacionais europeias, sobretudo em países com legislações e mecanismos de controle mais frágeis.   

No caso da Itália, o banco de dados registra 27 supostas violações de direitos humanos e ambientais, envolvendo 12 empresas da amostra, três delas italianas. Além disso, quatro empresas italianas aparecem implicadas em 167 casos no total, sendo apenas cerca de 5% ocorridos em território europeu.   

As principais vítimas identificadas são os trabalhadores, presentes em aproximadamente 52% dos casos, seguidos pelas comunidades locais (41%) e por crianças (7%).   

As violações de direitos trabalhistas correspondem a cerca de 22% do total, enquanto a privação da vida e os danos ambientais representam aproximadamente 19% cada.   

Discriminação responde por 11% dos casos, e trabalho infantil, intimidação e impactos negativos à saúde aparecem em torno de 7% cada. Corrupção e restrições de direitos completam o quadro, com cerca de 4% cada. (ANSA).