Estudantes entoaram palavras de ordem antigovernamentais no Irã em manifestações para homenagear os mortos durante a repressão a uma onda de protestos, relataram neste sábado (210 meios de comunicação locais e da diáspora.
Vídeos geolocalizados pela AFP em uma importante universidade de engenharia de Teerã mostram confrontos entre a multidão enquanto as pessoas gritavam “bi sharaf”, ou “vergonhoso” em farsi.
Imagens divulgadas pela emissora de TV em língua persa Iran International, com sede fora do país, mostraram uma multidão entoando palavras de ordem antigovernamentais na Universidade de Tecnologia Sharif.
Os distúrbios começaram pela primeira vez em dezembro, no contexto de uma prolongada crise financeira, mas evoluíram para uma massiva onda de protestos antigovernamentais que foi violentamente reprimida pelas forças de segurança, com saldo de milhares de mortos, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.
As autoridades religiosas reconheceram mais de 3.000 mortos, mas afirmaram que a violência foi provocada por “atos terroristas” impulsionados pelos inimigos do Irã.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, registrou por sua vez mais de 7 mil mortos durante a repressão, em sua maioria manifestantes, e indicou que o número pode ser ainda maior.
O veículo local Fars afirmou que o que deveria ser “um ato silencioso e pacífico” de estudantes para homenagear os mortos foi interrompido por pessoas que entoavam palavras de ordem como “morte ao ditador”, em referência ao líder supremo iraniano.
Um vídeo exibido pela Fars mostra um grupo cantando e agitando bandeiras iranianas diante de outro que usava máscaras e era contido por homens de terno.
Ambos os grupos carregavam o que parecem ser fotografias comemorativas.
As manifestações ocorrem enquanto as autoridades iranianas estão sob pressão para chegar a um acordo sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos, que deslocaram forças para perto do país.
O Irã insiste que se defenderá diante de qualquer novo ataque.
O presidente Masoud Pezeshkian, em declarações a atletas transmitidas pela televisão estatal, afirmou que o país “não cederá diante de nenhuma provação, mesmo que as potências mundiais se levantem contra nós com injustiça e tentem nos submeter”.
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