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Estudantes do ensino médio ajudam adultos no processo de alfabetização

A meta do Brasil para acabar com o analfabetismo era até 2024, de acordo com o objetivo do Plano Nacional de Educação (PNE). Mas, a taxa da população que não sabe ler e escrever é de 7%, segundo dados do IBGE em 2017 – só 0,2% menor do que a registrada no ano anterior.

Apesar dos 11,5 milhões de pessoas analfabetas, há projetos que estão sendo realizados para além da esfera pública. É o caso do programa ‘Eu te ensino, tu me ensinas’, da Escola Castanheiras, na Grande São Paulo.

Lá, a estudante Beatriz Gau Ribeiro, 15 anos, que está no 2º ano do Ensino Médio, iniciou um projeto de apoio à alfabetização de dois funcionários. “No começo sentia medo, não sabia se estava ensinando direito ou confundindo a cabeça deles. Com o tempo, fui acostumando mais a fazer isso. Comecei com dois alunos e agora já estou um pouco mais relaxada”, relata a estudante.

Celson Martins Filho tem 48 anos de idade e é auxiliar de limpeza na escola de Beatriz. Alagoano da cidade de Maravilha, tem quatro filhos e quatro netos. Quando chegou em São Paulo em busca de uma vida melhor, não teve a oportunidade de completar os estudos. “Fiquei sem estudar muito tempo. Cheguei a fazer o primeiro ano no Nordeste. E como a criança que engatinha, que começa a dar os primeiros passos, já conhecia algumas letras, outras não”, diz.

Há quatro meses, Celson passa pelo processo de alfabetização com a jovem aluna Beatriz. “Mesmo se eu sair da empresa, não vou deixar de frequentar a escola. Nordestino tem mania de dizer que ‘cavalo velho não nasce gente’. Pela minha idade, eu até desanimava. Eu passava pelos lugares, dentro do ônibus, e tentava ler as placas. Mas o ônibus passava rápido demais e eu não conseguia. Agora já identifico as palavras”, se emociona.


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Um dos eixos do currículo do Ensino Médio da Escola Castanheiras é promover o olhar crítico e propositivo dos alunos para o mundo. “Como, por exemplo, ter que se planejar, cumprir metas, lidar com a diversidade e controlar suas frustrações”, afirma Claudine Whitton, coordenadora do Núcleo Criatividade Ação e Serviço (CAS) da escola.

Com apenas 15 anos de idade, Beatriz ainda não sabe qual carreira vai seguir. “Sempre gostei de ensinar, mas não tenho certeza do que eu quero fazer ainda. Adorei Medicina, Primeiros Socorros, Advocacia. Algo mais próximo ao debate, discussão, convencimento”, reflete.

E Celson faz planos para quando conquistar a alfabetização plena. “Minha expectativa é continuar estudando. Ver se com 48 anos tem alguma coisa boa na vida. Quem sabe fazer uma faculdade. Esses dias, eu vi na televisão uma senhora bem velhinha e me perguntei: ‘Não estou estudando por quê?’. Me arrependi muito de não ter estudado antes, mas nunca é tarde”, enfatiza.

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