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Estudante que ficou preso no Egito quer voltar à Itália em breve


ROMA, 8 DEZ (ANSA) – Libertado no Egito após quase dois anos detido, o ativista e pesquisador egípcio Patrick Zaki, estudante da Universidade de Bolonha, agradeceu a Itália e todos que o apoiaram durante o período em que esteve preso.   

“Quero agradecer muito aos italianos, a Bolonha, à Universidade, aos meus colegas, a todos os que me apoiaram”, disse Zaki à ANSA, ao chegar na casa de sua família, em Mansura.   

Em entrevista à ANSA, o estudante afirmou também que quer voltar para a Itália o mais rápido possível. “Estou à espera, verei o que acontece nos próximos dias. Quero estar na Itália o mais breve possível, assim que puder irei direto para Bolonha, minha cidade, meu povo, minha universidade”, disse.   

Uma das primeiras coisas que Zaki fez assim que chegou na residência foi usar uma camiseta da Universidade de Bolonha, que recebeu da instituição. A rede de ativistas que lutou pela libertação do estudante por 22 meses divulgou uma foto na qual ele veste orgulhosamente a peça.   

O egípcio disse ainda estar ansioso para ver seu time do coração, o Bologna. Ele, inclusive, recebeu um convite do clube para torcer pela equipe.   

Zaki havia sido preso em 8 de fevereiro de 2020, após voltar ao Egito para um período de férias, sob a acusação de “propaganda subversiva” por meio de postagens no Facebook.   

No entanto, ele acabou denunciado mais tarde por “difusão de notícias falsas” devido a três artigos, sendo que um deles, de 2019, falava sobre cristãos coptas perseguidos pelo Estado Islâmico (EI) e discriminados por parcelas da sociedade muçulmana no Egito.   

Além de estudante da Universidade de Bolonha, uma das mais prestigiosas da Itália, ele é pesquisador da Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR), organização egípcia de defesa dos direitos humanos.   

Falando com os jornalistas, o ativista revelou que durante a detenção não parou de estudar e contou que podia ler muito e amava os livros de “Dostoevsky, Saramago e literatura napolitana”, em particular Elena Ferrante, apesar de nunca ter visitado Nápoles. Entre as cidades italianas que o pesquisador conhece está Milão, Veneza e Roma.   

“Hoje é um dia de festa, embora não devamos baixar a guarda até que as acusações sejam totalmente absolvidas. Esperamos que Patrick consiga deixar para trás estes dois anos dolorosos e volte logo a os seus estudos aqui em Bolonha, na sua universidade. O seu lugar é aqui, na nossa comunidade, junto aos seus colegas e professores que não veem a hora de abraçá-lo”, finalizou Giovanni Molari, reitor da Universidade de Bolonha.   

(ANSA)


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