Brasil

Estreia de peso

A XP cresceu na baixa de juros, brigando contra os bancos tradicionais. Agora, realizou o maior IPO já feito por uma empresa brasileira na bolsa americana Nasdaq. Já vale mais de R$ 80 bilhões

Crédito: TIAGO RIBEIRO

EUFORIA Guilherme Benchimol (abaixo) liderou a abertura de capital em Nova York, à frente de 250 consultores (Crédito: TIAGO RIBEIRO )


TIAGO RIBEIRO

Desde que o empresário Guilherme Benchimol criou a XP, a trajetória da empresa tem sido uma sucessão de passos surpreendentes. O grande marco até o momento tinha sido a negociação com o Banco Itaú, em 2017, que pagou R$ 6,5 bilhões pelo controle de 49,9% de suas ações. Na última quarta-feira 12, sua entrada na bolsa norte-americana Nasdaq, em Nova York, marcou o mais ambicioso movimento para o crescimento da companhia. A operação movimentou US$ 2,25 bilhões (aproximadamente R$ 10 bi), com mais de US$ 1 bilhão ficando no caixa da companhia. A valorização das ações foi acima de 20% no primeiro pregão. Lançado ao valor de U$ 27, a cotação do papel escalou quase 24% rapidamente, atingindo US$ 33,44. O IPO foi o quarto maior do ano na Nasdaq, com oferta de 83 milhões de ações. Investidores brasileiros ficaram de fora, por força da legislação americana, mas a situação foi contornada com o lançamento de dois novos fundos exclusivos para o Brasil. Ao finalizar a preparação para a abertura de capital, a empresa foi precificada em US$ 14,9 bilhões (R$ 62 bilhões). No final da quarta-feira 11, valia R$ 80 bilhões. Se estivesse na bolsa brasileira, estaria à frente da Eletrobras.

Competindo com os bancos

A XP se firmou no mercado como um shopping de investimentos com forte conteúdo educacional. Agora, uma das prioridades é oferecer serviços bancários com soluções financeiras completas no seu banco digital, o que passou a ser possível após obter a licença do Banco Central para operar como banco múltiplo. A ideia é oferecer crédito barato e facilidades como conta digital, cartão de crédito, operações de câmbio e transferências. Um desafio é fidelizar os seus clientes, que mantêm, em média, 45% da sua liquidez com a empresa.

A instituição surfou na onda das boutiques financeiras. Com a queda persistente nas taxas de juros (de 14,25% para 4,5%), a classe média e os investidores fugiram dos bancos tradicionais e da conservadora modalidade de renda fixa e passaram a apostar em investimentos mais agressivos (como multimercados, fundos imobiliários e ações). A XP foi a organização mais agressiva e bem-sucedida nessa área. Atingiu esse patamar focando em soluções completas e na experiência diferenciada para o usuário. Hoje, com 2,5 mil funcionários, já acumula R$ 350 bilhões em custódia dos seus clientes. A previsão é de que a sua receita crescerá pelo menos 35% em até cinco anos. Com 5% desse mercado, onde os maiores bancos concentram uma participação acima de 90%, a companhia é quase dez vezes maior que o segundo colocado entre as plataformas digitais de investimento.

Empreendedorismo


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No evento em Nova York, coberto com a bandeira do Brasil e saudado por um grupo de 250 consultores, Benchimol reforçou ainda mais sua imagem como um símbolo do empreendedorismo nacional. Carioca, ele começou sua jornada em uma salinha de 25 m2, em 2001, aos 24 anos. Isso ocorreu depois de uma passagem tímida pelo Banco Icatu e de ser demitido pela plataforma on-line Investshop, quando reiniciou sua carreira em Porto Alegre, com outro jovem, Marcelo Maisonnave. O capital inicial veio com a venda de uma caminhonete Dakota: R$ 14 mil. Depois de montar um escritório de agentes autônomos de investimento, passou a adotar um novo modelo de negócio, vendendo cursos que ensinavam os clientes a investir e, mais do que isso, a deixar parte de suas aplicações nas mãos da XP. Em apenas seis anos, os dois conseguiram comprar uma pequena corretora de valores carioca e chegaram à elite financeira do País (Maisonnave saiu da sociedade em 2014). Hoje, Benchimol representa uma nova geração de empreendedores bem-sucedidos, ao lado de veteranos como Jorge Paulo Lemann — que foi um dos compradores dos papéis da XP em Nova York. Despojado e informal, aos 43 anos, Benchimol é maratonista nas horas vagas. O sucesso já rendeu uma biografia, “Na Raça”, escrita por Maria Luíza Filgueiras, recém-lançada pela editora Intrínseca. Com o novo passo internacional, o empresário se habilita para um jogo mais complexo e duro no mercado bancário brasileiro, que ainda permanece como um dos mais concentrados do mundo. Pelo que mostrou até aqui, será uma boa partida.

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