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Estreante em Sanremo, Gaia Gozzi sonha em conquistar o Brasil


SÃO PAULO, 25 FEV (ANSA) – Por Luciana Ribeiro – Com apenas 23 anos e uma voz que tem feito sucesso na Itália e em toda a Europa, a cantora e compositora Gaia Gozzi ainda cultiva um grande sonho: conquistar o público brasileiro e consolidar-se no cenário musical no país de sua mãe.   

Filha da ex-bailarina Luciana Toledo Piza com um italiano, a jovem é apaixonada pelo Brasil e não vê a hora de retornar ao país para encontrar seu avô no aeroporto “com um quilo de pão de queijo”, visitar Trancoso, na Bahia, onde sua família tem uma casa de praia, e apresentar sua música.   

Gaia venceu o show de talentos “Amici” em 2020, interpretando a canção em português “Chega”, e agora se prepara para estrear no cobiçado palco do Festival de Sanremo, principal concurso musical da Itália e marcado para os dias 2 a 6 de março.   

Em entrevista à ANSA, a cantora afirma que disputar o prêmio da categoria principal, competindo contra astros já consolidados no cenário nacional, é um “sonho” que ela “gostaria de compartilhar com todo o mundo”.   

“Meu objetivo neste momento histórico é subir naquele palco e sentir o palco, conseguir me conectar com as pessoas que estão vendo o festival de casa, porque a gente está vivendo um momento bem difícil e precisa de um pouco de luz, sensações positivas e de música, que é o melhor remédio nessas situações”, diz.   


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A ítalo-brasileira levará ao palco do Teatro Ariston a canção autobiográfica “Cuore Amaro” (“Coração Amargo”, em tradução livre) e prevê uma apresentação emocionante, na qual ficará “com as mãos suadas e o coração palpitante”, principalmente porque a música retrata sua evolução profissional.   

“Essa é uma história de amor que eu escrevi para mim mesma, para lembrar dos momentos positivos pelos quais, às vezes, eu esqueci de agradecer”, conta.   

Apesar de um estilo mais pop, a artista não se limita a este gênero e revela gostar de “brincar com a música” para “quebrar preconceitos” e colocar suas canções em vários “mundos”. Para isso, usa “sons da cultura musical brasileira junto com a italiana, além de instrumentos indianos, batuques e funk”, entre outros estilos.   

Durante o processo criativo, Gaia prefere “começar sem referências para poder liberar tudo que está dentro” de si, mas ainda assim não se priva de buscar inspirações em artistas brasileiros.   

“Eu sempre ouvi muita música do Caetano [Veloso], da Maria Bethânia, da Marisa Monte, do Jorge Ben Jor, Maria Gadú, Criolo e Emicida”, revela a cantora.   

Segundo Gaia, este é um “momento muito legal para a música brasileira porque há um denominador comum com a Europa”, o que a deixa “muito livre para explorar as referências brasileiras”.   

“Eu gosto de escrever em italiano, mas com uma visão da vida mais brasileira, mais espiritual, conectada com a natureza, e escrever em português, trazendo um pouco da Itália, do futurismo, da velocidade de Milão e da história de um país com muitas referências”, explica.   

Em 2016, quando conquistou o segundo lugar na edição italiana do reality musical X-Factor, Gaia lançou o primeiro EP, “New Dawns”, contendo o single de mesmo nome, que vendeu mais de 25 mil cópias. Um ano depois, abriu os shows da turnê da cantora Giorgia Todrani e lançou a canção “Fotogramas”.   

Já em 2019, a jovem escreveu e compôs várias músicas durante o programa Amici, as quais foram incluídas no seu primeiro álbum de estúdio, “Genesi”, lançado em março de 2020 pela Sony Music.   

Gaia conta que já está escrevendo um novo disco, “metade em italiano e metade em português”, e sonha em retornar ao Brasil assim que a pandemia acabar “para tocar e começar a conhecer o público” do país.   

Questionada sobre o desejo de seguir os mesmos passos de artistas do “Belpaese” que conquistaram os brasileiros, como Laura Pausini, a nova sensação da música italiana responde: “Eu amaria”.   

“Eu queria poder entrar com a minha música, com a minha visão europeia, diferente do Brasil e da música brasileira”, afirma Gaia, acrescentando que o público está mais aberto a novidades e que, às vezes, nem é mais o idioma o limite, mas sim o conteúdo.   

Muitos fãs brasileiros, inclusive, preferem ouvir suas produções em italiano.   

De acordo com ela, seu “objetivo final é poder tocar no Brasil”, principalmente porque o “brasileiro é energia pura, é conexão, é amor, é sorriso”.   

Hit lançado na pandemia – “Chega” não só garantiu a Gaia a vitória no Amici, como também se tornou um dos hits mais tocados nas rádios da Europa e nas plataformas digitais.   

A canção foi lançada em 24 de abril de 2020, durante o lockdown na Itália por conta do novo coronavírus, e já acumula mais de 39 milhões de visualizações no YouTube.   

“Foi incrível, na verdade eu não esperava tudo isso, mas eu acho que a coisa mais ‘doida’ de todo esse processo foi que eu escrevi ‘Chega’ quando eu estava precisando lembrar de mim, precisando visualizar essa mulher que eu queria ser”, recorda a artista.   

Gaia diz ainda que a música foi composta em um “momento quase de revolução, de amor ao próximo e a si mesma”. “Acho que essa sensação foi a de uma poção mágica que fez com que a única música em português, simples em sua maneira, fosse a mais ouvida”.   

Visivelmente emocionada, Gaia também faz questão de enviar uma mensagem para todos os seus fãs no Brasil, o segundo país com mais mortes pela Covid-19 e o terceiro em número de casos em todo o mundo.   

“Eu queria muito falar para os brasileiros terem esperança e respeitar o próximo. A gente tem de lembrar que nós, seres humanos, estamos nessa terra, mas temos de respeitar o nosso planeta, os nossos irmãos”, afirma.   

Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro, Gaia enfatiza que seu sonho é que o país seja “amado e guiado por alguém que realmente queira o bem do Brasil e do mundo”.   

“Essa é uma real esperança que eu tenho, e a gente tem de estar unido nesse momento e espalhar amor, positividade e união.   

Precisamos colocar o melhor que a gente tem dentro de si para fora, para que tudo isso mude e esse momento termine, o mais breve possível, porque a gente fala de vidas, floresta, do mundo inteiro, de vidas humanas que estão nos deixando”, finaliza.   

(ANSA)

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