Cultura

Estilistas realizam bazar para moradores de rua no Largo da Batata


As estilistas paulistanas Cristiana Ventura e Marina Pestana realizaram na última terça-feira, 19, a quarta edição da Lojinha da Rua, que visa doar roupas e calçados a moradores de rua e refugiados que vivem em São Paulo. Desta vez, o evento ocorreu na Casa 92, balada que fica na zona oeste da capital, e ofereceu, além das peças de vestuário, cortes de cabelo feitos pelo beauty artist Max Weber, responsável por capas e editoriais das principais revistas de moda do País e um dos preferidos da top Gisele Bündchen.

“A loja segue o mesmo padrão desde o início, com roupas masculinas, femininas, infantis e acessórios”, diz Cristiana, uma das idealizadoras do projeto, que começou em 2014 e já levou 35 mil peças a mais de 2 mil pessoas entre moradores de rua e refugiados da Síria, Haiti e África. “Eles ficam encabulados a princípio, pois não estão acostumados a escolher. Mas a Lojinha da Rua não é assistencial, é existencial. Queremos que eles saibam que têm o direito de escolher aquilo que cabe a eles”.

No ano passado, a Lojinha de Rua foi realizada na área externa da Paróquia Nossa Senhora da Paz, no centro da capital paulista, perto de onde vivem vários refugiados. Mais de 15 mil peças foram doadas em duas horas de evento. “Dezenas de pessoas que atendemos antes voltaram desta vez para mostrar como estão bem. Voltaram pra dizer que adoram passar o dia com a gente”, conta Cristiana, emocionada.

Tudo começou em 2014, quando ela e Marina, que são amigas e se conheceram na faculdade de moda, resolveram tirar do papel uma vontade antiga. “Durante o curso tínhamos o desejo de empoderar mulheres costureiras, mas era mais barato mandar para confecções de bolivianos. Queríamos que as pessoas que vestem PP ou GG pudessem se sentir bem, mas a grade mais fácil de vender é P, M e G. A verdade é que o mundo deixa você mais duro, e aquele desejo de transformá-lo por meio da moda se esvaneceu”, lembra Cristiana.

As estilistas voltaram a pensar no assunto em uma conversa enquanto estavam paradas no trânsito a caminho do bairro do Bom Retiro, onde elas têm lojas. “No meio do papo, olhamos para o lado e vimos uma moradora de rua segurando um caquinho de espelho na mão e passando maquiagem. Sim, as pessoas que moram na rua também têm vaidade. Foi aí que tivemos o estalo.”

Em duas semanas, elas acionaram amigos do ramo e arrecadaram 5 mil peças para a primeira edição da Lojinha da Rua, feita no Castelinho da rua Apa, no centro da cidade. De lá para cá, foram muitas as doações e maiores ainda os aprendizados. “O morador de rua se preocupa com o outro. Ele não precisa de dois pares de tênis, pois tem apenas dois pés. E deixa o outro par para o próximo que chegar. Também não precisa de três calças jeans. Precisa de uma”, diz Cristiana. “A verdade é que o que ele mais precisa é de algo de que todos nós precisamos: amor, carinho e alguém para dar um abraço e conversar um pouquinho.”


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