Este alimento pode reduzir em 20% o risco de câncer de intestino, revela novo estudo

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Após o falecimento da cantora Preta Gil em decorrência de um câncer colorretal, hospitais registraram um aumento expressivo na busca por colonoscopias — principal exame para diagnóstico precoce e prevenção da doença. A preocupação é justificada: o câncer de intestino costuma evoluir de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais, e quando descoberto tardiamente as chances de cura diminuem consideravelmente.

Globalmente, trata-se do segundo tipo de câncer que mais causa mortes, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas a prevenção não se restringe aos exames. Ela também pode começar no prato. Foi o que mostrou um novo estudo conduzido por pesquisadores chineses, publicado neste mês de agosto na revista científica BMC Gastroenterology.

A análise reuniu dados de 17 pesquisas anteriores, envolvendo mais de 639 mil participantes e cerca de 97 mil casos de câncer colorretal. O resultado foi claro: o maior consumo de vegetais crucíferos — como brócolis, couve-flor e repolho — esteve associado a um risco 20% menor de desenvolver a doença em comparação a pessoas que consumiam pouco ou nenhum desses alimentos.

A dose que faz diferença

Os pesquisadores observaram que já a ingestão diária de 20 gramas desses vegetais pode trazer benefícios à saúde. No entanto, a maior proteção foi registrada entre aqueles que consumiam entre 40 g e 60 g por dia. Vale destacar que a relação entre vegetais crucíferos e prevenção do câncer vem sendo investigada desde os anos 1990 e, a cada novo estudo, a evidência de proteção se fortalece.

O poder dos compostos bioativos

A explicação para esse efeito protetor está na riqueza nutricional desses vegetais. Eles concentram fibras, vitamina C, carotenoides e flavonoides — todos já associados à redução do risco de tumores. Além disso, os crucíferos contêm glucosinolatos, compostos que podem induzir a morte programada de células cancerígenas (apoptose) e inibir enzimas que ativam substâncias carcinogênicas.

O brócolis, em especial, é uma das principais fontes de sulforafano, considerado um potente aliado anticâncer.

Mais que um alimento, um estilo de vida

É importante lembrar que nenhum alimento isoladamente tem o poder de prevenir doenças. A proteção vem de um conjunto de escolhas: praticar atividade física regularmente, adotar uma dieta rica em vegetais, frutas e grãos integrais, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool são medidas já comprovadas na redução do risco de câncer.

Por outro lado, o consumo frequente de carnes processadas — como bacon, presunto, salsicha e embutidos em geral —, além de ultraprocessados repletos de aditivos químicos, está fortemente associado ao aumento da incidência de tumores. O ideal é priorizar alimentos frescos, in natura, e limitar a ingestão de carne vermelha.

Em outras palavras: que o seu alimento seja o seu melhor remédio — uma máxima que, cada vez mais, encontra respaldo na ciência.