‘Esses caras podem matar’, diz Wagner Moura sobre o medo da ação do ICE nos EUA

Ator diz temer ações do ICE nos EUA, critica clima político e aponta papel das redes sociais na ascensão da extrema-direita

Wagner Moura
Wagner Moura. Foto: Reprodução/Instagram.

O ator Wagner Moura, 49, manifestou preocupação com as políticas de controle migratório adotadas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal El País, ele contou que teme possíveis ações de agentes do ICE e o impacto que esse contexto pode ter em sua vida no país.

“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE […] E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, afirmou.

O artista também destacou que costuma reagir de forma intensa diante de situações que considera injustas ou autoritárias. “Reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos”.

Morando nos Estados Unidos há cerca de sete anos, o ator está estabelecido em Los Angeles desde que passou a ter maior projeção internacional. A mudança, segundo ele, foi estratégica do ponto de vista profissional, já que viver fora do Brasil facilita reuniões, contatos e o desenvolvimento de novos projetos.

Durante a entrevista, Wagner Moura ainda comparou o cenário político norte-americano a comportamentos associados à extrema-direita no Brasil. “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades, com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”.

Ele acrescentou que, na sua avaliação, houve uma construção deliberada da imagem de artistas como adversários da população. “A extrema-direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo”.

Para o ator, as redes sociais tiveram papel decisivo na formação do cenário atual. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação.”

Por fim, Moura avaliou que existe hoje uma aproximação entre grandes empresários de tecnologia e a extrema-direita, o que, na visão dele, contribuiu para que setores progressistas perdessem espaço nas plataformas digitais. “Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema-direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”.