Esquerda vence eleições presidenciais em Portugal com António Seguro

LISBOA, 9 FEV (ANSA) – O candidato de esquerda António José Seguro venceu no domingo (8) as eleições presidenciais em Portugal. Com 99% das urnas apuradas, ele obteve 66,8% dos votos contra 33,2% de André Ventura, líder da extrema direita.   

“O povo português é o melhor do mundo e demonstrou um enorme apego aos valores da democracia”, afirmou Seguro, de 63 anos.   

Já Ventura, de 43, comentou: “Ele ganhou, desejo-lhe um ótimo mandato. Os portugueses mostraram que ainda não querem a mudança”.   

Durante a campanha eleitoral, Seguro enfatizou sua independência em relação aos partidos políticos, inclusive ao seu próprio, o Socialista (PS). Ventura, por outro lado, tentou deslocar a direita portuguesa para o extremismo, enquanto realizava uma candidatura controversa: afirmou abertamente que “não queria ser presidente de todos os portugueses”.   

O atual chefe de Estado de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, parabenizou o seu sucessor, que assumirá o cargo em 9 de março.   

“Telefonei para António José Seguro para felicitá-lo por sua vitória nas eleições presidenciais, desejando-lhe toda a felicidade e sucesso no mandato que o povo português lhe confiou”, disse Rebelo em nota.   

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também cumprimentou o futuro chefe de Estado, destacando que a vitória de Seguro em uma “eleição pacífica” representa “a vitória da democracia em um momento tão importante para a Europa e o mundo”.   

“E consolida a posição de Portugal de apoio ao acordo Mercosul-União Europeia”, acrescentou Lula, reforçando que o “Brasil seguirá trabalhando em parceria com o presidente eleito e o primeiro-ministro Luís Montenegro pelo fortalecimento das relações bilaterais históricas entre nossos países, em defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável”.   

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que apesar de Portugal estar sofrendo com o mau tempo nos últimos dias, os portugueses “demonstraram uma notável resiliência democrática”.   

“Desejo a Seguro todo o sucesso. Hoje, o povo português provou o seu compromisso com a democracia, reafirmando Portugal como um pilar do humanismo europeu”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudando a vitória do seu compatriota, com quem também partilha a mesma filiação política.   

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, dirigiu-se ao vencedor em português e inglês. “Sei que a Europa pode contar com a sua experiência e o seu compromisso com o nosso projeto comum, tal como Portugal pode continuar a contar com a Europa”, disse a maltesa.   

Seguro teve uma longa carreira política no PS. No início da década de 1990, foi um colaborador próximo de António Guterres, atual secretário-geral das Nações Unidas.   

Em 2011, em meio a uma crise econômica, Seguro tornou-se secretário-geral do PS. Mas em 2014, Costa, o futuro presidente do Conselho Europeu, assumiu não só a liderança do PS, como se tornou primeiro-ministro de Portugal no ano seguinte, cargo que ocupou até 2024.   

Hoje, Seguro, um socialista moderado, prefere usar o termo “moderado” ao invés de “socialista”, tanto que a direção do PS hesitou, no início de sua campanha, a lhe dar apoio.   

Com exceção do primeiro-ministro em exercício, Luís Montenegro, que preferiu não se pronunciar sobre o pleito, muitos conservadores manifestaram seu apoio nas últimas semanas a Seguro.   

O novo presidente será o sexto da república democrática estabelecida pela Constituição de 1976. (ANSA).