Esquerda e ultradireita disputarão 2º turno em Portugal

O próximo pleito está marcado para 8 de fevereiro

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Eleitor português após depositar seu voto na urna Foto: REUTERS/Pedro Nunes

O socialista António José Seguro e o ultradireitista André Ventura foram os dois candidatos mais votados nas eleições deste domingo (18/01) para a presidência de Portugal e vão se enfrentar em um segundo turno previsto para 8 de fevereiro.

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Com quase 98% dos votos apurados, André Ventura, líder do partido Chega, obteve 24% dos votos. Ele ficou atrás de Seguro, do Partido Socialista (PS), que surpreendeu ao obter quase 31% dos votos. Pesquisas indicavam que Ventura sairia na frente no pleito. Em Portugal, o PS é majoritariamente considerado um partido de centro-esquerda, com Seguro se apresentando apelando aos votos da “esquerda moderada”.

Outros nove candidatos concorreram em um número recorde de participantes na eleição presidencial, mas nenhum chegou perto dos mais de 50% necessários para vencer no primeiro turno.

Nas cinco décadas desde que Portugal encerrou sua ditadura, em 1974, uma eleição presidencial havia exigido segundo turno apenas uma vez, em 1986. O resultado revela como o cenário político se tornou fragmentado com a ascensão da ultradireita e o descontentamento dos eleitores com os partidos tradicionais do país.

Em Portugal, a presidência é um cargo em grande parte cerimonial, mas exerce alguns poderes importantes, incluindo a dissolução do parlamento, a convocação de eleições legislativas antecipadas e o veto a leis. Mais de 11 milhões de cidadãos portugueses estavam aptos a votar para eleger o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social Democrata, que deixará o posto após dois mandatos de cinco anos.

Ultradireita cresce em Portugal

Em maio do ano passado, o partido de ultradireita Chega, fundado há sete anos, tornou-se o principal partido de oposição no parlamento português e o terceiro do país, com 22,8% dos votos. A ascensão de Ventura capturou apoio dos dois principais partidos do país que se revezaram no poder na última metade do século: o Partido Social Democrata, de centro-direita, atualmente no governo, e mesmo o Partido Socialista, de Seguro.

Um dos principais alvos de Ventura tem sido o que ele chama de “imigração excessiva”, à medida que trabalhadores estrangeiros se tornaram mais visíveis em Portugal nos últimos anos. Durante a campanha eleitoral, ele colocou outdoors pelo país com mensagens como: “Isto não é Bangladesh” e “Imigrantes não devem viver de assistência social”.

Apesar do favoritismo de Ventura no primeiro turno, pesquisas recentes mostram que o candidato perderia a disputa na segunda volta devido à sua alta taxa de rejeição, superior a 60% dos eleitores. Neste domingo, o ultradireitista instou a direita a se unir nas urnas: “Lutarei dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo para que não haja um presidente socialista. Nós vamos vencer,” disse ele.

Quem é António Seguro?

Já Seguro é um veterano dirigente socialista e mantém um perfil discreto nas fileiras do Partido Socialista, que liderou entre 2011 e 2014. Segundo o jornal português O Observador, depois de deixar a liderança da sigla devido a disputas internas, passou pelo Conselho de Estado, órgão consultivo da presidência, e atuou como professor universitário antes de voltar à política no pleito presidencial. Fez campanha com bandeiras republicanas e de justiça social, ganhando tração em uma eleição marcada por temas como a crise habitacional e o custo de vida no país.