O técnico de voleibol André Wilson Testa, de 31 anos, foi condenado pelo MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina), órgão também responsável pela denúncia, a 60 anos de prisão por crimes sexuais contra adolescentes que praticavam o esporte em uma associação desportiva de São José (SC) – cidade que fica na região metropolitana de Florianópolis (SC) – que recebia dinheiro público. A sentença foi anunciada nesta segunda-feira, 24.

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Conforme o MP-SC, o condenado se aproveitava da sua posição de superioridade e dos sonhos dos adolescentes para manipulá-los e praticar os abusos. As denúncias envolviam crimes de importunação sexual, estupro de vulnerável, coação no curso do processo, submissão de criança ou adolescente sob sua autoridade a vexame ou constrangimento, fornecimento de bebida alcoólica a menores de idade e por instigar uso indevido de droga.

A sentença determinou 60 anos de reclusão em regime inicial fechado ao técnico, além de três anos e nove meses em regime inicial aberto e 110 dias-multa.

André Wilson Testa é um ex-jogador de voleibol e teve passagens como árbitro representante da Federação Catarinense nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Como técnico, ele gerenciava duas “casas atletas” de um projeto social de uma entidade esportiva. Estavam abrigados 16 adolescentes ao total, sendo 11 do sexo masculino e cinco do feminino.

As acusações ocorreram em 2022, quando os casos passaram a ser investigados pela Polícia Civil e o então treinador de voleibol foi afastado de suas funções. Segundo o MP-SC, André Testa induzia os adolescentes fazendo brincadeiras de cunho sexual e convites para passeios em que oferecia bebidas alcoólicas às vítimas e, posteriormente, as levava para sua casa ou um motel onde ocorriam os estupros.

O sentenciado coagia os adolescentes para que eles não revelassem os abusos, prometendo crescimento na carreira ou ameaças de desligamento do projeto.

Em uma entrevista ao programa NSC Notícias, da NSC TV, afiliada da TV Globo, uma das vítimas, que não foi identificada, relatou que teve a sua “primeira vez” em 2017, aos 15 anos, durante um abuso feito pelo treinador. “Ele (André Testa) me levou para a casa dele. Lá, ele começou a passar a mão em mim, essas coisas… Enfim, eu não tinha malícia na época, porque eu tinha muita confiança nele”, explicou.

Uma outra vítima contou que foi com André Testa até um restaurante e, no estabelecimento, o condenado teria a embriagado e levado para um motel. “Eu não conseguia andar direito, não conseguia resistir fisicamente…”, declarou.