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Especialistas pedem novos padrões de construção contra doenças transmitidas pelo ar

Especialistas pedem novos padrões de construção contra doenças transmitidas pelo ar

(Arquivo) Funcionário limpa os equipamentos de uma academia em 24 de agosto de 2020 em Islip, Nova York - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos


Os padrões de construção devem passar por uma “mudança de paradigma” para permitir uma proteção melhor contra doenças transmitidas pelo ar, disse um grupo de importantes especialistas nesta quinta-feira (13), motivados pelas lições aprendidas com a pandemia de covid-19.

Os projetos de futuros edifícios devem incorporar uma maior ventilação e medidas de limpeza do ar, incluindo a filtração e a desinfecção usando filtros e dispositivos ultravioleta, escreveram eles na revista Science.

Isto porque dados acumulados sugerem que as minúsculas partículas que contêm o coronavírus que são liberadas pela respiração, fala, espirros e tosse são fatores importantes na disseminação da covid-19.

Os 39 especialistas, entre eles alguns dos principais engenheiros ambientais do mundo, observaram que há uma grande disparidade na forma como os governos regulam a segurança alimentar, o saneamento e a água potável, em comparação com os patógenos transmitidos pelo ar.

A transmissão aérea de doenças não foi reconhecida por muito tempo, segundo os autores, porque “é muito mais difícil rastrear as infecções transmitidas pelo ar”, enquanto a contaminação de alimentos e água quase sempre vem de uma fonte facilmente identificável.

“Os estudos de transmissão aérea são muito mais difíceis de fazer porque o ar como meio de contágio é nebuloso, está muito espalhado, não é propriedade de ninguém e não está contido”, indicaram os estudiosos.

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Além disso, “a maioria das construções de edifícios modernos ocorreu após um declínio na crença de que os patógenos transportados pelo ar são importantes” e, portanto, carecem de elementos de projeto e construção para mitigar esse risco.

“A taxa de ventilação será diferente para diferentes locais de acordo com as atividades que serão realizadas ali”, disseram eles, com taxas mais altas exigidas para academias em comparação com salas de cinema.

As taxas de ventilação também deverão variar conforme o tipo de patógeno prevalente no momento, já que a emissão e as doses infecciosas variam.

Também é importante adicionar sistemas de controle para ajustar o uso de energia e evitar a poluição do ar por poluentes externos em ambientes internos, acrescentaram os especialistas no documento.

Os autores pediram que padrões globais de qualidade do ar em ambientes internos sejam estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também que sejam desenvolvidos padrões abrangentes por governos nacionais e órgãos profissionais.

Pediram ainda um amplo uso de monitores, para que o público conheça a qualidade do ar nos ambientes que frequentam.

“É necessária uma mudança de paradigma em grande escala, como a que ocorreu quando o relatório sanitário Chadwick levou em 1842 o governo britânico a encorajar as cidades a organizar o abastecimento de água potável e sistemas de esgoto centralizados”, concluíram.

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