Especialista em direitos humanos da ONU irá a Guantánamo pela primeira vez

Especialista em direitos humanos da ONU irá a Guantánamo pela primeira vez

A ONU anunciou nesta quarta-feira(1º) que, pela primeira vez após duas décadas de solicitações, uma especialista em direitos humanos viajará à prisão militar americana de Guantánamo.

A relatora especial sobre direitos humanos e liberdades fundamentais na luta contra o terrorismo, Fionnuala Ní Aoláin, fará uma “visita técnica” aos Estados Unidos a partir de 6 de fevereiro, informou a ONU em comunicado.

De 6 a 14 de fevereiro, a especialista irlandesa, enviada pelo Conselho de Direitos Humanos, mas sem falar em nome da ONU, viajará para Washington e depois para o centro de detenção da base militar americana na Baía de Guantánamo, no sudeste da ilha de Cuba.

Ao final da visita, a especialista publicará uma declaração, que incluirá conclusões e recomendações.

Em 15 de março de 2022, ela anunciou que havia recebido um convite anterior de Washington para organizar uma visita técnica.

Nos três meses após sua viagem, Ní Aoláin realizará uma série de entrevistas com várias pessoas nos Estados Unidos e no exterior, entre elas, vítimas e familiares de vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001 e ex-detentos em Guantánamo.

Especialistas independentes de direitos humanos da ONU buscavam acesso a esta prisão militar desde sua abertura em 2002 para detidos da “guerra ao terrorismo” declarada pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro.

O centro tornou-se uma questão muito polêmica para Washington, acusado de detenção ilegal, violação de direitos humanos e tortura.

Guantánamo chegou a abrigar até 800 “prisioneiros de guerra”, a maioria deles com provas imprecisas.

Cerca de quarenta detidos continuam no local.