A polêmica operação policial na Itália nesta segunda-feira (27), que cercou uma dupla que facilitava a obtenção de cidadania italiana para brasileiros, caiu como uma bomba aqui no País – em especial por envolver nomes de famosos como o apresentador de TV Rodrigo Faro, que já soltou nota se defendendo, citando ser vítima da empresa indicada por amigo, que considerava ser idônea.

Rafael Gianesini, CEO Da Cidadania4u, maior empresa de cidadania europeia da América Latina, com sede em Brasília, explica que o caso envolvendo o ator apresentador e sua esposa parece ser a clássica “fraude de residência”.

“Basicamente, na Itália, você só pode reconhecer a cidadania onde você vive. Se eu moro em São Paulo, tenho que reconhecer no Consulado de São Paulo. E se por acaso me mudo para a Itália e vou morar lá, é preciso reconhecer na comune aonde eu vivo. Isso é muito importante, porque, por exemplo, aqui no Consulado de São Paulo, demora em média 12 anos. Já na Embaixada de Brasília, demora oito anos para reconhecer. Mas você é obrigado a morar lá, você tem que colocar comprovante de residência e tudo mais. E algumas comunes na Itália são muito rápidas”.

Gianesini explica que, enquanto falamos em 10 a 12 anos de demora no processo aqui no Brasil, uma residência comprovada na Itália para o requerente pode reduzir o processo para 90 a 120 dias, apenas.

“Esse golpe, essa fraude que acontece geralmente assim,: as pessoas não moram lá. Em muitos casos, os indivíduos sequer vão lá. Então, é como se esses clientes tivessem um contrato de aluguel fixo de residência, mas na verdade não têm. Somente passam alguns dias (para a verificação de uma autoridade in loco) e depois vão embora; ou seja, simulam situações de como essas pessoas estivessem no local.

O especialista explica que os brasileiros flagrados neste tipo de fraude lá podem perder de imediato a cidadania, e responder à Justiça do país. Mas futuramente, em se provando o parentesco com ascendente italiano, e toda a documentação estiver correta, poderá tentar novamente obter o documento.

Gianesini ainda reforça que existe uma maneira responsável de evitar isso que é fazer todos os trâmites pelas vias legais, validar se realmente a empresa que vai fazer o processo de cidadania existe, não assinar nenhum documento com dados que não são verdadeiros, entre outros pontos.

“Infelizmente, muitos clientes nem sabem que essa falsificação acontece. Essa questão de fingir residência tem sido muito recorrente e causando alguns transtornos na efetivação do processo da cidadania italiana”, explica.