Saúde da mulher

Especialista alerta sobre os riscos do câncer de pele neste verão e como prevenir a doença

Crédito: Freepik

O verão inicia neste mês, acompanhado de férias, viagens e muita exposição solar. Neste momento, além de continuar seguindo os protocolos de prevenção à Covid-19, é necessário se atentar aos cuidados com a pele, visto que o sol — em excesso e sem proteção — é o principal agente causador do câncer de pele.

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“Adicione mais fator de proteção ao seu verão” é lema da atual campanha de Dezembro Laranja, organizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O alerta é para conscientizar toda a população sobre o impacto da doença, que segundo a instituição, responde por 33% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil, com cerca de 185 mil novos casos registrados anualmente no Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Carlos Dzik, diretor médico de oncologia do Hospital Nove de Julho, explica que a doença trata-se de tumores malignos que se manifestam na pele como pintas, caroços ou alterações planas de cores diferentes — essas podem mostrar presença de ulceração, pois não cicatrizam com facilidade e voltam com frequência.

“Classificamos os tumores em melanoma e não-melanoma. Os tumores não-melanoma são os mais comuns, classificados entre carcinoma baso-celular (80%) e carcinoma espino celular (20%). Depois, temos o melanoma, que é menos comum em comparação com os outros dois, mas não menos importante, já que traz maior chance de disseminação e morte, e seu tratamento pode ser bem mais complexo”, esclarece o médico.

As áreas mais afetadas por não-melanoma são as regiões da pele mais expostas ao sol, como o rosto. Já o melanoma pode se desenvolver em qualquer parte da superfície cutânea, sobretudo no rosto e tronco.

Segundo Dzik, o câncer de pele não-melanoma não tende a espalhar para outras áreas. Em sua forma mais grave, a condição se manifesta apenas com aumento do crescimento local. O melanoma, por sua vez, quando o tumor é espesso e profundo, pode se espalhar para glândulas linfáticas satélites ou até mesmo para órgãos internos.

Fatores de risco

De maneira isolada, o verão não é o vilão. O câncer de pele não-melanoma é resultado do excesso de exposição solar ao longo da vida e tende a surgir na idade média-avançada, acima dos 45-50 anos, segundo o diretor médico. “Nesta estação, o alerta é aos agravos agudos da exposição solar, como a queimadura solar”, diz.

O INCA lista que o risco da doença aumenta em casos de:

• Exposição prolongada e repetida ao sol (raios ultravioletas — UV), principalmente na infância e adolescência;

• Exposição a câmeras de bronzeamento artificial;

• Ter pele e olhos claros, com cabelos ruivos ou loiros, ou ser albino;

• Ter histórico familiar ou pessoal de câncer de pele.

Embora não apareça na lista, pessoas negras também estão sujeitas ao câncer de pele. Dzik ressalta que o melanoma tem cerca de 20 vezes menos incidência na pele negra, em comparação a branca. No entanto, quando isso acontece, a doença se manifesta de forma mais grave e intensa. 

“O que diferencia entre negros é a ocorrência de um tipo de melanoma mais grave —  melanoma das extremidades ou melanoma acral. Essas condições trazem maior chance de não responder ao tratamento e ter maior risco de mortalidade”, explica.

Sintomas 

O autoconhecimento do corpo é essencial para identificar os sinais da doença, visto que causa alterações na pele, muitas vezes semelhantes a pintas, eczemas ou outras lesões benignas. Conforme a SBD, os sintomas podem incluir:

• Uma lesão na pele com aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente;

• Uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho;

• Uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento.

“Além de todos esses sinais e sintomas, melanomas metastáticos podem apresentar outros, que variam de acordo com a área para onde o câncer avançou. Isso pode incluir nódulos na pele, inchaço nos gânglios linfáticos, falta de ar ou tosse, dores abominais e de cabeça, por exemplo”, ressalta a SBD.

É imprescindível consultar um médico ao notar quaisquer um desses fatores. Somente o especialista poderá diagnosticar a doença, a partir de exames clínicos ou uma biópsia. Além disso, independentemente dos sinais, a consulta anual com um dermatologista deve estar inclusa na lista de prioridades com a saúde.

Tratamentos

“A grande maioria dos tumores de pele, tanto os melanomas como os não-melanomas, são curáveis pela simples remoção cirúrgica. Eventualmente é necessário que o cirurgião realize uma cirurgia estendida de retirada de linfonodos, sobretudo no caso dos melanomas mais espessos e profundos”, pondera Dzik. No entanto, ainda segundo o especialista, a cura não é sinônimo de imunidade, visto que prevalecem os mesmos fatores que predispuseram ao primeiro diagnóstico.

Todo tipo de câncer deve ser tratado quanto antes, independentemente de seu estágio. Em caso de câncer de pele não-melanoma, existem diversas opções terapêuticas de tratamento, que variam conforme o tipo e a extensão da doença. A SBD destaca os mais comuns: cirurgia excisional, curetagem e eletrodissecção, criocirurgia, cirurgia a laser, cirurgia micrográfica de Mohs, Terapia Fotodinâmica (PDT), radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e medicações orais.

A SBD aponta que o tratamento para o câncer de pele melanoma varia conforme a extensão, agressividade e localização do tumor, bem como a idade e o estado geral de saúde do paciente. Os tratamentos mais comuns são: cirurgia excisional e a cirurgia micrográfica de Mohs.

Prevenção

Felizmente, é possível prevenir o câncer de pele. A melhor estratégia para isso é evitar a exposição prolongada ao sol e usar protetor solar de alta proteção diariamente — inclusive em casa e em dias frios. Além disso, acessórios como chapéus e óculos escuros, também são bons aliados. 

Confira a seguir outras dicas de proteção listadas pela SBD:

• Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16 horas (horário de verão);

• Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta;

• Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo. Reaplicá-lo a cada duas horas ou menos, ou após se molhar, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia a dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço;

• Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas;

• Manter bebês e crianças protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses;

• Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.