Depois da boa estreia diante da Croácia, a Espanha terá que confirmar sua solidez contra a Itália nesta quinta-feira (20), em Gelsenkirchen, numa “final” antecipada do Grupo B da Eurocopa.

A época de ouro da ‘Roja’ começou e terminou contra a ‘Azzurra’: desde a vitória nos pênaltis nas quartas de final da Euro 2008 até a grande exibição na final de 2012 (4 a 0), uma inédita jornada espanhola que incluiu entre esses dois títulos continentais a Copa do Mundo de 2010.

Os italianos conseguiram se vingar nas duas edições seguintes: nas oitavas em 2016 (2 a 0) e na semifinal em 2021, novamente nos pênaltis, antes de se sagrarem campeões contra a Inglaterra na decisão.

– Estilo menos previsível –

Para este novo capítulo da rivalidade, a Espanha chega de um 3 a 0 sobre a Croácia, um resultado incontestável, mas que tem suas ressalvas: o time do técnico Luis de la Fuente se mostrou letal nas finalizações, enquanto os croatas desperdiçaram várias chances claras.

“Cedemos mais espaços do que deveríamos”, reconheceu o experiente lateral Danir Carvajal, autor do terceiro gol espanhol.

“Temos que manter os pés no chão”, acrescentou De la Fuente, uma prudência difícil de encontrar para uma torcida que tem motivos para sonhar alto.

A Espanha conseguiu deixar para trás o ‘tiqui-taca’, jogo de posse de bola que a levou ao topo, e abriu seu leque de opções, em parte graças à joia Lamine Yamal, de 16 anos, destaque contra a Croácia e jogador mais jovem a disputar uma Eurocopa.

Mas também a outro atacante, Nico Williams, a lucidez de Rodri no meio-campo e o faro de gol do capitão Álvaro Morata, sempre aguçado pela seleção.

“Estilo? O que te leva a ganhar. Nem mais, nem menos”, afirmou Rodri.

– Em busca de uma identidade –

Atual campeã europeia, a Itália está em processo de encontrar uma identidade com seu novo técnico, Luciano Spalletti, que chegou em setembro para substituir Roberto Mancini, hoje na seleção da Arábia Saudita.

O trauma de ter ficado fora das duas últimas Copas do Mundo para a tetracampeã mundial não se cura com um título continental.

A estreia na edição de 2024 também não empolga. Vitória de virada sobre a Albânia (2 a 1) depois de sofrer um gol com 23 segundos de jogo.

Ciente de que os jogadores que podem fazer a diferença são poucos no elenco, Spalletti defende um jogo coletivo, de força física, que serve para competir com os ‘bichos papões’ do continente.

“Vamos para o campo com a vontade de lutar por todas as bolas, é o que o nosso treinador quer. Jogadores que não tenham medo do desafio físico”, disse o atacante da Juventus Federico Chiesa.

Davide Frattesi, que tem mais protagonismo na seleção do que na Inter de Milão, segue a mesma linha: “Não vamos nos esconder nas individualidades, eles são superiores. Teremos que formar um bloco com todos juntos e mostrar o espírito italiano, combativo e solidário”.

O retrospecto histórico do confronto é equilibrado: em 40 jogos, a Espanha soma 13 vitórias e a Itália 11, além de 16 empates, com 46 gols para a ‘Roja’ e 45 para a ‘Azzurra’.

– Escalações prováveis:

Espanha: Unai Simón – Carvajal, Le Normand, Nacho, Cucurella – Fabián Ruiz, Rodri, Pedri – Lamine Yamal, Morata, Nico Williams. Técnico: Luis de la Fuente

Itália: Donnarumma – Di Lorenzo, Bastoni, Calafiori, Dimarco – Jorginho, Barella – Frattesi, Pellegrini, Chiesa – Scamacca. Técnico: Luciano Spalletti

Árbitro: Slavko Vincic (SVN)

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