A Espanha conquista a Copa do Mundo neste domingo ao superar a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, com um gol decisivo do reserva Ferran Torres. A vitória, que marca o retorno espanhol ao topo do futebol mundial, coroou uma nova era para a seleção, apesar de uma partida pouco empolgante.
O tão cobiçado prêmio do futebol mundial merecia um clássico digno de sua grandiosidade. Contudo, as duas potências mundiais entregaram um impasse sufocante que parecia fadado aos pênaltis. Ferran Torres, no entanto, rompeu a monotonia com a 20ª finalização da Espanha, garantindo a vantagem.
Curiosamente, o apito final provocou os momentos mais animados do confronto. A frustração da Argentina explodiu em empurrões e quedas, culminando em uma breve briga entre os jogadores no campo.
O que aconteceu
- A Espanha venceu a Copa do Mundo ao derrotar a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Ferran Torres.
- A final foi marcada pela apatia das equipes, com a Argentina não registrando nenhum chute a gol nos 90 minutos regulamentares.
- O técnico Luis de la Fuente, de 65 anos, tornou-se o mais velho a conquistar o torneio, consolidando uma sequência invicta de 38 jogos da Espanha.
O jogo foi descrito como “para os puristas”, um eufemismo para uma partida quase totalmente desprovida de qualidade e chances claras. Somente a entrada e o gol de Ferran Torres, vindo do banco de reservas, trouxeram algum alívio para a monotonia.
Ferran Torres, o atacante, comentou sobre a emoção do gol: “Foi um gol marcado por 47 milhões de pessoas – não foi nem meu, nem dos 26 jogadores.” Ele acrescentou: “Estava destinado a acontecer. Estava escrito que seria o gol da vitória”.
Lionel Messi, o segundo jogador após o brasileiro Cafu a disputar três finais de Copa do Mundo, apresentou uma performance aquém do esperado. Ele parecia uma pálida sombra de seu melhor, incapaz de inspirar a equipe argentina.
Lamine Yamal, pela Espanha, também passou quase despercebido em campo. Embora Messi e Yamal fossem as estrelas esperadas, foram os reservas espanhóis Ferran Torres e Nico Williams que injetaram a energia e o dinamismo que o jogo monótono tanto necessitava.
Um jogo apático e sem brilho
Esta foi a quinta das últimas seis finais de Copa do Mundo a ir para a prorrogação. No entanto, raramente as torcidas haviam suportado um futebol tão insípido e desprovido de alegria como o presenciado nesta ocasião.
Argentina sem chances claras de gol
A Espanha, conhecida por seu estilo sufocante de pressão, viu-se sem um adversário que oferecesse perigo. Os argentinos fizeram história negativa ao ser a primeira seleção a não conseguir realizar um único chute a gol – seja no alvo ou para fora – durante os 90 minutos de uma final de Copa do Mundo.
A estratégia da Argentina parecia focar em incomodar e atrapalhar o jogo, com puxões de camisa, empurrões e faltas, em vez de buscar o ataque. Surpreendentemente, a equipe terminou a partida com apenas um cartão vermelho, quando Enzo Fernández foi expulso por derrubar Pau Cubarsí nos acréscimos do segundo tempo.
Após mais de um mês de gols espetaculares e jogos emocionantes, esta final não serviu como um bom cartão de visitas. O espetáculo deixou a desejar, especialmente para o público do país anfitrião.
É difícil imaginar a impressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assistia à partida ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, em um camarote VIP. Posteriormente, Trump foi o responsável por entregar o troféu da Copa do Mundo aos campeões espanhóis.
Afinal, o que faltou ao jogo?
O confronto foi, sem dúvida, o mais difícil de “vender”, até mesmo para os puristas do futebol. Apesar do domínio da posse de bola, a Espanha se mostrou ineficaz em suas ações ofensivas durante boa parte do tempo.
A Espanha registrou um total de 20 finalizações, com 12 delas no alvo. No entanto, a posse de bola, por si só, não garante a vitória em um esporte onde os gols são o fator decisivo.
As estatísticas oficiais da Fifa indicaram apenas duas “tentativas” de gol para a Argentina. Nenhuma delas foi no alvo, e o próprio termo “tentativa” parecia ser empregado de forma bastante flexível, dada a falta de perigo real.
Entretenimento antes da bola rolar
O campo foi inundado por cantores, bandeiras, fogos de artifício, pódios, estrelas pop e ídolos de Hollywood no aquecimento para a final. A maior surpresa foi que o pontapé inicial foi adiado em apenas cinco minutos, apesar de todo o alvoroço de showbiz que precedeu a partida.
Três quartos do estádio se transformaram em um pedaço de Buenos Aires, com torcedores vestidos de azul e branco entoando os tradicionais cantos argentinos. Os campeões de 2022 deram o pontapé inicial em meio a essa atmosfera vibrante.
A Espanha, contudo, não encontrou o adversário ofensivo e perigoso que precisava para exibir seu melhor futebol. Parecia que a emocionante virada da Argentina na semifinal, que resultou na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, havia sido o último grande impulso da seleção sul-americana.
A seleção espanhola atuou sem um centroavante de ofício, uma lacuna que poderia ter sido crucial. A equipe frequentemente optava por não chutar a gol, baseando-se em uma sequência de cruzamentos que não encontravam um finalizador eficaz.
Poucos poderiam prever que nomes como Justin Bieber, Madonna e o técnico fictício Ted Lasso, presentes no show do intervalo, seriam responsáveis pelo entretenimento mais memorável da tarde. O futebol, em contraste, se tornou monótono e sem brilho.
“Allez, vamos lá”, cantou Shakira, em uma canção que ironicamente sublinhava a falta de energia em campo.
O telão exibia frases como “Light it Up” e a palavra “Dynamite” piscava, quase como uma provocação. As duas equipes em campo, no entanto, não conseguiram “acender nenhum pavio” de emoção para os torcedores.
O intervalo tradicional, de 15 minutos, quase dobrou de duração devido às performances musicais, danças, fogos de artifício e à desmontagem da estrutura. Contudo, nem mesmo essa pausa prolongada conseguiu trazer uma mudança de ritmo para a partida.
Nada disso, entretanto, irá incomodar os espanhóis ou seu radiante treinador, Luis de la Fuente. Aos 65 anos, ele se tornou o técnico mais velho a conquistar uma Copa do Mundo.
A nova era de Luis de la Fuente
“Ganhamos tudo”, afirma de la Fuente
De la Fuente já havia guiado a Espanha ao título da Eurocopa de 2024. Sua equipe mantém agora uma impressionante invencibilidade de 38 partidas em todas as competições, um recorde para qualquer seleção europeia ou sul-americana.
“Tenho muito orgulho desta geração de jogadores que cresceu com essa filosofia”, declarou De la Fuente aos repórteres. “Eles permaneceram fiéis a ela, a aprimoraram ainda mais e deram um exemplo como equipe e como família – são excelentes jogadores, do mais alto nível, com talento excepcional”.
O técnico completou, visivelmente emocionado: “Estou muito emocionado. Olhando para trás e pensando neles, conquistamos tudo, absolutamente tudo, com esta geração de jogadores.”
*Com Reuters