Escolha de Draghi para formar governo divide base aliada

ROMA, 4 FEV (ANSA) – Um grupo de representantes dos partidos que compõem a base aliada do governo italiano se reuniu nesta quarta-feira (3) para debater um possível apoio ao ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi, encarregado de formar um novo Executivo.   

Participaram da cúpula membros do Partido Democrático (PD) – que apoia a escolha do executivo -, da coalizão progressista Livres e Iguais (LeU) e do Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada parlamentar e que defende um governo político e não técnico presidido por Draghi.   

Durante a reunião, o PD deixou claro que acredita que o ex-mandatário do BCE pode tirar a Itália da incerteza determinada pela crise governamental. Segundo o líder da legenda de centro-esquerda, Nicola Zingaretti, “Draghi é uma personalidade de grande prestígio, uma força e um recurso apreciado no mundo”.   

No entanto, o M5S está cada vez mais dividido sobre apoiar ou não o executivo, o que fez o líder do M5S, Vito Crimi, admitir que a “votação na plataforma Rousseau é uma hipótese a não ser esquecida”, para chegar a uma maioria no partido.   

Crimi ainda ressaltou que não gosta da ideia de a Itália ser liderada por um governo tecnocrata, que seria “frio e calculista” e “não é bom para o país”. Mas ainda assim pode apoiar o possível governo.   

Para o chanceler italiano, Luigi Di Maio, do M5S, porém, “as regras da democracia são muito claras” e “a vontade popular é representada pelas forças presentes no Parlamento cujo mandato, recebido pelos eleitores, não era o de um governo técnico”.   

Di Maio se opõe a Draghi porque a proposta era ter um governo político no país para atender as necessidades dos italianos e não um técnico. “Em 2018, o Movimento 5 Estrelas obteve 33% dos votos, no Parlamento somos a maior força política e, como já mostrámos, somos decisivos. Agora temos de nos mostrar compactos, precisamos de unidade . Ninguém tenta nos dividir”, escreveu no Facebook.   

O ex-deputado Alessandro Di Battista, um dos principais expoentes do M5S, defende que o partido não ceda às pressões.   

Já o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico, Stefano Patuanelli, também é favorável a um governo político. “Somos uma República parlamentarista, devemos continuar fazendo política para o bem do país e para isso precisamos de um governo político”.   

Apesar de opiniões contrárias, durante o encontro foi levantada a hipótese de uma proposta comum, porque os partidos não querem “desperdiçar o patrimônio comum construído com grande empenho, no último um ano e meio”.   

Consultas – Em seu primeiro-dia como o encarregado para formar um governo na Itália, Draghi participou de três reuniões importantes. As duas primeiras, como de costume, com o presidente da Câmara, Roberto Fico, e com a presidente do Senado, Elisabetta Casellati. A terceira foi com o premiê demissionário Giuseppe Conte.   

A expectativa é de que a partir desta quinta-feira (4) o ex-presidente do BCE inicie as consultas com as forças políticas italianas. Será nestas reuniões que Draghi vai verificar se há uma maioria que pode apoiar o seu governo.   

Se o M5S permanecer irredutível, toda a atenção será voltada para os próximos dois maiores partidos – o Partido Democrático e a Liga, de extrema direita – que são inimigos políticos declarados, mas podem ter que votar juntos para dar a Draghi a maioria. (ANSA)