Brasil

Escolha às cegas

Candidatos pouco conhecidos e eleitores sem acesso à informação compõem uma mistura que compromete a renovação de um ambiente político bastante desacreditado

Crédito: Divulgação

INCÓGNITA Prefeitos que tentarão a reeleição entrarão em uma disputa contra candidatos sobre os quais nada se sabe (Crédito: Divulgação)

A quatro meses das eleições municipais, o pleito foi adiado para os dias 15 e 29 de novembro, a maioria dos pré-candidatos continua desconhecida. Em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, cidades nas quais os prefeitos vão tentar a reeleição, há mais 20 pré-candidatos nessas disputas. Na lógica do modelo tradicional, eles teriam vantagem por deter o comando da máquina administrativa e pela contínua exposição na mídia. Com o isolamento social imposto pela Covid-19 se prevê uma alteração na dinâmica das campanhas eleitorais e o uso mais intenso da comunicação digital. Mas, sem a realização dos comícios e atos públicos comuns nas campanhas, e com o baixo acesso à internet, a massa do eleitorado vai ter que escolher e votar em candidatos sobre os quais sabe muito pouco.

FALTANDO 4 meses para o pleito, candidatos ainda são desconhecidos
pelos eleitores

Ex-vice do governador João Doria (PSDB-SP), o prefeito tucano Bruno Covas tem um perfil discreto como gestor. Ganhou visibilidade ao expor a doença. Ele enfrenta um câncer no sistema digestivo desde outubro de 2019 e, após vários tratamentos, segue firme na disputa pela reeleição. Um de seus futuros adversários é o “Carteiro Reaça”, apelido do deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP). Pré-candidato bolsonarista à Prefeitura paulistana, ele tem uma trajetória política ignorada pela maioria dos eleitores. Outro desconhecido é o pré-candidato do Novo, o empresário Filipe Sabará. Batizado de “mini-Doria”, de quem foi secretário de Assistência e Desenvolvimento Social, Sabará é a aposta de renovação do partido.

Na capital fluminense, o bispo Marcelo Crivella (Republicanos) vai tentar a reeleição numa disputa feroz pelo voto do eleitor evangélico, também base eleitoral da pré-candidata e deputada federal Clarissa Garotinho (Pros), filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha. De olho nessa fatia, o deputado federal Hélio Lopes (PSL) conta com a simpatia do presidente Jair Bolsonaro. Conhecido como Hélio Negão, foi o deputado mais votado em 2018, mas é visto como figurante nos eventos presidenciais. Correndo por fora da raia religiosa, e sem experiência na política partidária, o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello (Rede) deve dividir a chapa com a deputada estadual Martha Rocha (PDT). Em outras capitais, como Belo Horizonte e Porto Alegre, onde, respectivamente, Alexandre Kalil (PSD) e Nelson Marchezan Jr. (PSDB) tentarão a reeleição, candidatos desconhecidos também terão dificuldades para sair do anonimato. Se o cenário de pandemia piorar, por conta de erros dos atuais prefeitos, pode ser que os novatos tenham mais chances. Mas o eleitor continuará no escuro e corre o sério risco de trocar gato por lebre.

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