Esclerose múltipla: SUS amplia acesso a tratamento de alta eficácia

SUS amplia distribuição de Natalizumabe em 44,5% e acesso a tratamentos de esclerose múltipla após diretrizes

Esclerose múltipla: SUS amplia acesso a tratamento de alta eficácia

Uma análise de dados realizada por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita revelou que, entre 2019 e 2023, o Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou em 44,5% a distribuição do medicamento Natalizumabe em todo o país. A medida, indicada para pacientes com formas agressivas de esclerose múltipla, ocorreu após a revisão das diretrizes nacionais, ampliando significativamente o acesso a tratamentos de alta eficácia.

  • A distribuição de Natalizumabe para esclerose múltipla no SUS cresceu 44,5% entre 2019 e 2023, após revisão de diretrizes.
  • O número de pacientes em tratamento pelo SUS aumentou 25,9%, indicando maior acesso a cuidados especializados e terapias eficazes.
  • O estudo, publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders, avaliou a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).

Houve também crescimento na utilização de outras terapias de alta eficácia e redução do uso de medicamentos injetáveis de menor eficácia. No mesmo período, o número de pacientes em tratamento pelo SUS aumentou 25,9%, indicando maior acesso ao cuidado especializado.

Avanços na incorporação de terapias

O estudo avaliou os impactos da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a doença, implementada em 2021, e identificou avanços importantes na incorporação de terapias de alta eficácia. Foram analisados mais de 1,7 milhão de registros de distribuição dos medicamentos. O resultado do estudo foi publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune e crônica em que o sistema imunológico passa a atacar estruturas do sistema nervoso central, comprometendo a comunicação entre cérebro e corpo. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reduzir a frequência dos surtos, retardar a progressão da incapacidade e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Como políticas públicas transformam a saúde?

Segundo a neurologista Lívia Almeida Dutra, coordenadora do Instituto do Cérebro do Einstein e uma das autoras do estudo, os resultados mostram que políticas públicas construídas com base em evidências científicas têm potencial para transformar a prática clínica.

“Quando as diretrizes passam a incorporar terapias mais eficazes, aumentam as oportunidades de os pacientes receberem tratamentos capazes de controlar melhor a atividade da doença e reduzir o risco de incapacidade ao longo do tempo”, disse.

De acordo com a neurologista, com essas evidências é possível identificar experiências bem-sucedidas e adaptá-las a diferentes realidades. Para ela, fortalecer a rede de atendimento especializado é um caminho para ampliar o acesso às melhores opções terapêuticas em todas as regiões do país.

Mudança de padrão terapêutico

O estudo indicou ainda que a mudança no padrão terapêutico após a atualização do protocolo nacional, que permitiu a migração de pacientes para terapias de alta eficácia, aumentou 82%, enquanto as trocas entre medicamentos de eficácia semelhante diminuíram 54%, indicando maior adoção de estratégias terapêuticas alinhadas às evidências científicas mais recentes.

Segundo a análise, a velocidade de incorporação das terapias de alta eficácia entre os estados brasileiros foi diferente, sendo mais rápida em locais com maior concentração de neurologistas e centros especializados no atendimento à esclerose múltipla.

“O acompanhamento de grandes bases de dados é fundamental para verificar se uma política pública está produzindo os resultados esperados, além de orientar investimentos em infraestrutura, serviços especializados e capacitação profissional. Evidências do mundo real ajudam a qualificar a tomada de decisão e a construir um sistema de saúde mais eficiente e centrado nas necessidades dos pacientes”, afirmou Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein Hospital Israelita e um dos autores do estudo.

O estudo contou com a participação da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Registro de Doenças Neurológicas (REDONE).

A atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), publicada pelo Ministério da Saúde, incorporou novas evidências científicas ao tratamento da esclerose múltipla no SUS.

Entre as principais mudanças, passou a recomendar o uso do natalizumabe como primeira opção de tratamento para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente de alta atividade, inclusive sem necessidade de falha prévia a outras terapias.