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Escândalo envolvendo juízes pode reativar caso Odebrecht no Peru

Escândalo envolvendo juízes pode reativar caso Odebrecht no Peru

Logo da empreiteira brasileira Odebrecht no Rio de Janeiro em 23 de junho de 2016 - AFP/Arquivos

O escândalo envolvendo juízes no Peru pode revelar ligações com o caso Odebrecht, fazendo com que a procuradoria reative o caso que atinge quatro ex-presidentes peruanos, avaliou nesta sexta-feira o jornalista Gustavo Gorriti, diretor do site investigativo IDL-Reporteros, que denunciou a farra no Judiciário.

“Se as investigações avançarem, vão revelar muita informação e comprometer muita gente que até o momento não foi atingida”, disse Gorriti.

O caso Odebrecht deve ser retomado com a recente renovação de um acordo de cooperação com a procuradoria brasileira.

Os meios judiciais consideram que o acordo fechado em julho entre as procuradorias de Brasil e Peru, que inclui imunidade para os funcionários da Odebrecht no Peru em troca de cooperação, será um tônico revitalizador na investigação.

O acordo passou quase despercebido em meio às denúncias da imprensa envolvendo gravações de conversas entre juízes que revelaram vendas de sentenças e tráfico de influência.

– ‘Lava Jato’ x ‘Lava Juiz’ –

“Teremos muitos áudios. Será a ‘audiolândia’ e apenas uma grande revelação trará de volta (o caso) Odebrecht”, disse à AFP o politólogo Juan de la Puente. Mas este cenário pode estar mais perto do que se pensa.

A imprensa peruana batizou o escândalo dos áudios de ‘Lava Juiz’, em referência à ‘Lava Jato’ brasileira.

“A enxurrada de dados que deve vir do Brasil vai mudar o que sabemos sobre o caso Odebrecht”, avaliou Gorriti, que prevê um impulso no caso. “Mas para tal é importante que o ‘Lava Juiz’ avance bem e rapidamente”.

Há suspeitas de que juízes e procuradores envolvidos no escândalo dos áudios tenham ajudado investigados no caso Odebrecht.

A ironia é que o novo procurador-geral peruano, Pedro Gonzalo Chávarry, poderá ser destituído pelo Congresso devido ao escândalo dos áudios, levando a eventual queda do procurador Rafael Vela, novo encarregado do caso Odebrecht.

Chávarry é acusado de ter mentido a uma comissão parlamentar que investiga o escândalo dos áudios.

O escândalo já provocou a renúncia do presidente da Suprema Corte, Duberlí Rodríguez, e a destituição do ministro da Justiça, Salvador Heresi.

O caso Odebrecht marcou em dezembro passado o início do fim do governo de Pedro Pablo Kuczynski, após o grupo revelar o pagamento de quase cinco milhões de dólares a empresas ligadas ao político.

Os três antecessores de Kuczynski também foram arrastados pelo escândalo Odebrecht: Alan García (2006-2011), Ollanta Humala (2011-2016) e Alejandro Toledo (2001-2006).